Declaração da UIT-QI: Diante do reestabelecimento de relações diplomáticas entre EUA e Cuba

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Nossa corrente socialista revolucionaria sempre defendeu as conquistas da revolução cubana de 1959 e repudiou toda forma de agressão do imperialismo a Cuba, dentre eles o bloqueio e o embargo econômico. Mas sempre fomos críticos da direção política cubana que foi abandonando as bandeiras do socialismo da gloriosa época do Che Guevara.O anuncio de reestabelecimento das relações diplomáticas realizado de forma conjunta entre Barak Obama e Raul Castro depois de mais de 50 anos de ruptura e bloqueio norte americano, causaram um lógico impacto no mundo. Trata-se de um fato relevante que gera todo tipo de interpretações sobre as razões desta mudança e suas consequências.

Ainda que se trate de uma medida parcial, já que o bloqueio histórico continua, o fato que um presidente dos EUA finalmente reconheça, como teve de fazer Obama, que os mais de 50 anos de ruptura de relações e bloqueio a Cuba "não serviram", significa um triunfo político para o povo cubano e os povos do mundo que lutaram durante décadas e repudiaram estas represálias do imperialismo. Junto com isto, é um fato positivo a liberação dos presos cubanos que formam parte dos chamados "Cinco heróis" (dois tinham sido liberados anteriormente), que levavam mais de 15 anos presos nos EUA e que era um bandeira dos povos e da esquerda mundial. Por isto, como socialistas, rejeitamos que Raúl Castro agradeça ao Papa e felicite Obama por este recuo político. Foi a luta de mais de 50 anos dos povos de Cuba e do mundo que conseguiram esta derrota política do imperialismo.

Mas por sua vez, somos categóricos em afirmar que nada de bom pode-se aguardar para o povo cubano deste acordo entre Obama-Castro e o Vaticano. É falsa toda interpretação que o reestabelecimento de relações diplomáticas possa trazer benefícios para os trabalhadores e o povo cubano. Raúl Castro e o regime do PC cubano abrem equivocadamente expectativas em Obama e no papel do Vaticano, mas é sabido que eles estão a serviço dos exploradores.
Obama não tinha alternativa que não fosse reconhecer o erro histórico do imperialismo porque são parte de uma crise global do capitalismo, com seu fracasso em Oriente Médio, com a rebelião dos povos do Norte de África, as lutas dos trabalhadores e da juventude contra os cortes de verbas e ajustes e com uma grave crise econômica mundial. Procura então, superar sua crise com novas políticas de pactos e inversões das multinacionais. Obama quer repetir o que já fizeram com China e Vietnam. Nesses países pactuaram com as ditaduras comunistas para que se instalassem as multinacionais norte-americanas e do mundo, desenvolvendo um capitalismo com salários de fome e altos lucros. Por isto não e casual que entre os que mais aplaudem a medida de Obama e pedem o levantamento do embargo, estejam grandes empresários norte americanos desejosos de fazer negócios com Cuba. Entre eles estão: "Ricky J Arriola, presidente do poderoso grupo Inktel; os magnatas do açúcar e do setor imobiliário Andrés Fanjul e Jorge Pérez; o empresário Carlos Saladrigas e o petroleiro Enrique Sosa, ademais de outros empreendedores multimilionários, figuram entre os ativistas do relacionamento binacional. Muitos deles são de origem cubano, mas todos tem cidadania estadunidense pelo qual não podem fazer negócios com Cuba por imperativo do embargo" El País, Espanha, 18/12/2014.

Justamente Obama muda de política porque estão atrasados com Cuba. Porque, a partir do bloqueio ianque, o regime cubano há anos vem pactuando negocios com multinacionais europeias e do Canadá e com investidores privados de Brasil, China, Israel ou Venezuela.

Ainda que para muitos lutadores custe acreditar, o regime de partido único dos Castro, há anos começou restaurar o capitalismo com um plano semelhante ao da China e Vietnam. Essa é a triste realidade. Além disso, com salários miseráveis que não alcançam os 20 dólares por mês e sem direito a greve nem a formar sindicatos independentes.

O avanço do capitalismo em Cuba e os fortes investimentos privados só contribuíram para agudizar os problemas sociais do povo cubano. Enquanto isso, crescem os ricos e os acomodados nas esferas do governo e das empresas. No porto de Mariel, em acordo com a multinacional Odebrecht e outros empresários brasileiros, já foi instalada uma zona franca para empresas privadas. Essas oportunidades de negocio são as que Obama e muitos empresários norte americanos vem que estão perdendo em meio de sua crise econômica. Este é o marco da mudança e do acordo Obama-Castro.

Este acordo não nasce de um dia para outro, é fruto de longas negociações secretas realizadas de costas para o povo cubano. Nem Raúl Castro nem o PC cubano consultaram os trabalhadores e o povo. Há anos que existem negociações e acordos secretos entre EUA e Cuba, tanto de colaboração de segurança marítima como em medidas económicas apesar da existência do bloqueio. Em 2001, por exemplo, EUA flexibilizou o bloqueio no quesito alimentos e desde 2003 converteu-se no primeiro provedor da ilha de produtos agroalimentares, deslocando França e Canadá. Naquela época não acabou com o bloqueio por razões politico eleitorais: o temor de perder votos da comunidade cubano-norte americana. Por outra parte, a burocracia governamental cubana sempre utilizou politicamente a questão do bloqueio, ainda que seu efeito seja cada vez menor, para justificar a desastrada política econômica e as penúrias da população.

Nossa corrente socialista revolucionaria sempre defendeu as conquistas da revolução cubana de 1959 e repudiou toda forma de agressão do imperialismo a Cuba, dentre eles o bloqueio e o embargo econômico. Mas sempre fomos críticos da direção política cubana que foi abandonando as bandeiras do socialismo da gloriosa época do Che Guevara. Desde os anos 60/70 se submeteu à política de pactos com o imperialismo estabelecidos pela URSS para não impulsionar novas revoluções socialistas pelo mundo. Por isso na Nicarágua de 1979, o próprio Fidel Castro lhes recomendou aos sandinistas que não fizeram de Nicarágua "uma nova Cuba", ou seja que não avançarem ao socialismo. Seguindo Moscou, Fidel e Raúl castro impuseram uma ferrenha burocracia restringindo os direitos democráticos da população. Depois, nos anos 90, quando desapareceu a União Soviética, uniu-se com Chávez e agora Maduro, avalizando sua política do falso slogan: "Socialismo do Século XXI" para continuar mantendo em Venezuela uma estrutura econômica capitalista. Entre tanto, pactuavam que Venezuela subsidiasse a debilitada economia cubana com petróleo a baixo preço e restauravam o capitalismo com inversões espanholas, brasileiras e canadenses.

A crise da Venezuela, agudizada agora com a queda do preço do petróleo, acelerou a concreção do pacto com EUA que já vinha sendo negociado secretamente. Agora, o acordo Obama-Castro prepara uma apertura para futuros negocios ianques. Que solução poderão trazer os investimentos norte americanos ao povo cubano? Nenhum.

Por tudo isto, desde a UIT-QI chamamos a continuar apoiando ao povo cubano e sua histórica reinvindicação para que se levante definitivamente o bloqueio, que é uma medida antidemocrática, de destruição da soberania dos povos e um resquicio da política colonial dos EUA, e que devolvam já Guantánamo à soberania cubana. Nesse marco rejeitamos toda e qualquer ingerência e intervenção do imperialismo norte americano. Também apoiamos a luta do povo cubano para recuperar as conquistas da revolução socialista de 1959, para tanto deve ter plenos direitos democráticos para formar sindicatos e partidos, acabar com o regime de partido único e ter o direito de reclamar e se mobilizar para reverter a restauração capitalista e garantir salários dignos e recuperar a educação e a saúde conquistadas nos primeiros tempos do socialismo do Che.

Unidade Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (UIT-QI)
19 de dezembro de 2014

 

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