Por Partido da Democracia Operária, seção turca da Unidade Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional
23 de janeiro de 2026. Após o fracasso das negociações entre o governo provisório e as Forças Democráticas da Síria em 4 de janeiro, a escalada militar intensificou-se e continuou a se expandir desde Alepo para todas as zonas sob controle da Administração Autónoma no Norte e Leste da Síria (ANAES).
Depois que as forças governamentais, que continuavam seu avanço militar a oeste e a leste do Eufrates, chegaram às imediações de Kobane, Hasaka e Qamishlo, na noite de 18 de janeiro foi assinado um novo acordo de cessar-fogo. No contexto dos acontecimentos recentes, que criaram uma nova situação política na Síria e na região como resultado de uma combinação de múltiplos fatores, o Partido da Democracia Operária resume sua posição nos seguintes pontos:
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O povo curdo, dividido em quatro partes como resultado dos planos de repartição imperialista, é uma das nações mais antigas da região. Os direitos democráticos e nacionais do povo curdo na Turquia, Síria, Irã e Iraque devem ser reconhecidos sem estarem sujeitos a qualquer negociação, e o povo curdo deve poder determinar livremente seu próprio futuro. Nenhum acordo que não se baseie nessa realidade histórica e política pode produzir uma solução duradoura nem garantir a paz entre os povos.
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Nesse contexto, a base fundamental da recente escalada militar na Síria reside no fato de que o governo de Damasco não reconhece o caráter multinacional, multiétnico e multirreligioso dos povos do país. As divisões herdadas do regime de Al Assad, que levou políticas sectárias e racistas ao extremo para se manter no poder, estão sendo utilizadas agora pelo governo provisório de Shara para consolidar seu próprio poder. A prioridade do governo provisório é reconstruir o Estado capitalista no país em cooperação com o imperialismo, o sionismo e as forças reacionárias regionais, apropriando-se das demandas de “liberdade e dignidade” pelas quais o povo sírio pagou grandes custos. Suas políticas centralistas e autoritárias nessa direção causaram desastres em Latakia em março e em Suwayda em julho, e agora provocaram uma nova crise em Rojava.
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O acordo de cessar-fogo assinado em 18 de janeiro e renovado em 20 de janeiro pode ser quebrado a qualquer momento, como os anteriores, e os enfrentamentos podem intensificar-se novamente. Na realidade, esse acordo é uma revisão do acordo de 10 de março, que não foi implementado, e continua apresentando características fracas e frágeis. Esse acordo ambíguo, que prevê a integração das Forças Democráticas da Síria (FDS) no exército central e da Administração Autónoma em Damasco, tem funcionado na prática como uma cobertura que protege os interesses de curto prazo de ambas as partes e serve aos seus esforços para ganhar tempo e fortalecer suas posições. Esse acordo foi configurado não com base nas iniciativas próprias das partes nem no estabelecimento dos direitos democráticos dos povos, mas em função das necessidades e demandas dos Estados Unidos e das potências regionais.
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Assim como no acordo de 10 de março, as prioridades do imperialismo e das potências regionais foram decisivas para definir o acordo de 18 de janeiro. Convencidos de que as FDS haviam cumprido sua missão histórica e preferindo o regime de Damasco como seu principal aliado, a administração Trump, após o fracasso das negociações, deu luz verde ao avanço militar do governo interino, excluindo as cidades e aldeias de maioria curda. Imediatamente antes da operação militar, o governo interino neutralizou a entidade sionista mediante um acordo alcançado em Paris com o Estado sionista, cuja prioridade era a desmilitarização do sul, cujos detalhes ainda não foram oficialmente revelados. A administração Erdoğan, como principal defensora dessa operação, ofereceu total apoio às forças governamentais.
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Enquanto o governo provisório continuava seu avanço militar na região de Cezire (a leste do Eufrates), também assinou em 17 de janeiro um decreto em que anunciava o reconhecimento e a garantia dos direitos de cidadania, linguísticos e culturais do povo curdo. Embora esse passo tenha grande importância por ser o primeiro documento na história da Síria que reconhece diversos direitos dos curdos após a independência do país, não produziu um resultado que alivie as preocupações existenciais do povo curdo devido aos contínuos enfrentamentos militares e às políticas centralistas do governo. De modo semelhante, embora o governo central enfatize que não realizará ataques militares contra as regiões de maioria curda, não é possível convencer os curdos cujas cidades e povoados estão sob cerco militar. Nesse contexto, o bloqueio militar contra Kobane, onde eletricidade e água foram cortadas, deve ser levantado imediatamente! Por essa razão, ações estão sendo realizadas nas quatro partes e na diáspora para a defesa de Rojava.
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Caso o acordo de 18 de janeiro, assinado por ambas as partes, também deixe de vigorar e o governo provisório tente atacar as regiões curdas, as mobilizações de solidariedade mais amplas devem ser organizadas na Turquia, na região e no mundo para a defesa do povo curdo.
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Frente à operação do governo provisório, a rápida dissolução e desintegração das FDS, das quais se afirma que 60% são compostas por árabes, assim como a rápida retirada das Unidades de Proteção Popular (YPG) das regiões de maioria árabe e a ausência de resistência nessas zonas contra as forças do governo central, evidenciaram o fracasso da experiência de “autoadministração”. A Administração Autónoma, que desde 2017 mantinha sob seu controle essas regiões de maioria árabe, contrariamente ao seu discurso, não conseguiu oferecer uma alternativa baseada na liberdade e igualdade, nem conquistar as comunidades árabes. Apesar de sua riqueza em recursos naturais como petróleo, gás natural e água, a população da região, tornada uma das mais pobres do país pelos governos de Damasco, protestava há muito tempo contra a Administração Autónoma devido à discriminação, repressão e exclusão das instituições de governo. A política de tentar controlar as comunidades locais por meio de acordos com líderes tribais, em vez de aplicar medidas econômicas e políticas capazes de conquistar os povos trabalhadores da região, fracassou como resultado da mudança de aliança desses líderes tribais com a mudança no equilíbrio de forças. Além disso, as políticas que oscilam rapidamente entre negociar com o governo de Shara por sua representação na administração central e, por outro lado, declarar o governo um remanescente do ISIS e chamar à resistência total — bem como os discursos contraditórios provenientes da liderança — causaram confusão e desmoralização entre as massas.
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A contradição fundamental em nossa região continua sendo entre o imperialismo, o sionismo e as forças capitalistas dominantes da região, por um lado, e os povos que lhes se opõem, por outro. Nesse contexto, a intifada do povo palestino contra o sionismo, os levantes (serhildan) do povo curdo, a rebelião do povo iraniano contra a ditadura e a luta em curso do povo sírio por seus direitos democráticos e econômicos estão indissoluvelmente ligados. A solução final para nossa região é a Federação Socialista do Oriente Médio, que será estabelecida sob a liderança dos trabalhadores e dos povos oprimidos, com base na libertação social dos povos e na igualdade política.


