Abaixo o estado de exceção!
Continuar e massificar a mobilização camponesa, operária e popular!
Fora Rodrigo Paz!
Por um governo encabeçado pelas organizações em luta!
Declaração do Partido dos Trabalhadores
Em 19 de junho completaram-se 50 dias de uma valente e massiva mobilização nacional, camponesa, operária e popular, que, por meio do bloqueio de estradas, conseguiu paralisar grande parte do aparato produtivo do país e encurralar o governo direitista de Rodrigo Paz. E a luta continua.
A traição da direção da COB
Nessa data, a direção da Central Operária Boliviana (COB) traiu a luta ao chegar a um acordo com o governo, sem consultar as bases mobilizadas, e no qual apenas se estipulam compromissos que Paz demonstrou não cumprir e a instalação de mesas de trabalho, nas quais sequer foram dadas garantias para a liberdade e a retirada dos processos contra todos os companheiros e companheiras detidos ilegalmente pelo governo. Argollo, principal dirigente da COB, afirmou que chegaram a esse acordo para evitar um estado de exceção e o derramamento de sangue. Esse acordo foi rapidamente rejeitado e denunciado pela maioria dos pontos de bloqueio e pelas organizações camponesas e populares que os mantêm.
Estado de exceção
No entanto, uma vez obtida a capitulação da direção da COB e poucas horas após a assinatura do acordo, Rodrigo Paz e seu gabinete, da forma mais vil e traiçoeira, decretaram o estado de exceção, zombando do acordo com a COB e apontando para uma brutal repressão contra o povo trabalhador que segue mobilizado. Isso demonstra mais uma vez que não se pode confiar em um governo patronal.
Seis meses de ajuste antipopular
Essa atuação constante, enganosa e farsesca de Rodrigo Paz é uma das razões que levaram o povo trabalhador boliviano a se levantar para exigir sua renúncia após apenas seis meses de mandato. Pois, enquanto prometia bônus, créditos e melhorias na situação econômica popular, na prática aplica uma política de ajuste antipopular que se destaca pelo aumento dos combustíveis, após o qual vendeu gasolina de péssima qualidade; aumento indiscriminado dos preços; endividamento recorde; congelamento salarial; decretos e leis repressivas; lei de usurpação de terras das comunidades camponesas e indígenas; projeto de lei para generalizar a precarização do trabalho; e uma política orientada para a privatização e entrega dos recursos naturais, entre outras medidas. Enquanto isso, por outro lado, aumentou os salários dos funcionários do Estado, eliminou o imposto sobre as grandes fortunas e, em geral, concedeu uma série de benefícios aos grandes empresários e às multinacionais no país.
O que fazer?
O mais importante é que as principais organizações camponesas, como a Federação Tupac Katari, a Confederação Bartolina Sisa, os Ponchos Vermelhos, entre outras, assim como o Distrito 8 de El Alto, ou seja, as bases camponesas e populares nos bloqueios, desconheceram o pacto da COB com o governo e ratificaram que a mobilização e os bloqueios continuarão por suas reivindicações e contra o regime de Rodrigo Paz.
Diante dessa situação, é importante fortalecer e continuar a luta para derrotar o plano completo de ajuste e alcançar a saída do governo, principal reivindicação da luta, e deve-se derrotar o estado de exceção, massificando a mobilização popular.
Para isso, é necessário que as organizações em luta também se apresentem como alternativa de poder e se preparem para encabeçar um governo camponês, operário e popular, surgido da mobilização vitoriosa. Dessa forma, dá-se clareza a todo o país, em particular àqueles que temem o que virá depois de Rodrigo Paz.
Para esse fim, além de se preparar para derrotar a repressão estatal, com táticas, estratégia e logística, é necessário estabelecer uma coordenação unificada dos diferentes pontos de luta em nível nacional. As organizações sindicais, movimentos sociais e os comitês de mobilização devem constituir uma coordenação nacional que pode chamar-se comitê nacional de mobilização, assembleia popular ou outro nome, mas cuja função seja unificar todas as organizações em luta e somar as bases das organizações cujas direções traíram. Assim como incorporar outros setores que ainda não se integraram plenamente à luta, a partir da inclusão de suas necessidades e reivindicações próprias em uma pauta, programa ou agenda nacional de luta. Também é imprescindível que toda decisão importante seja resolvida consultando as bases em plenárias, assembleias e cabildos.
Uma Agenda Nacional de Luta
Além das justas reivindicações setoriais, essa agenda nacional deve ter como horizonte pôr fim ao saque das riquezas do país, expulsando as multinacionais e impulsionando uma revolução agrária que exproprie a oligarquia latifundiária. Também deve ser instaurado o controle de divisas para impedir a enorme fuga de capitais; garantir o abastecimento de combustível de qualidade; deter a destruição do meio ambiente causada por incêndios, mineração poluente e projetos extrativistas; gerar um plano massivo de empregos e elevar os salários; aumentar o orçamento para saúde e educação, entre outros pontos.
Uma perspectiva internacional da luta
É fundamental que a Federação Tupac Katari e as organizações em luta continuem convocando a solidariedade internacional dos povos e, ao mesmo tempo, estabeleçam uma coordenação com nossos irmãos da região que também combatem governos de extrema direita que aplicam terríveis planos de ajuste e empobrecimento a serviço do imperialismo e das multinacionais. Nossos irmãos do Equador encontram-se neste momento também sendo reprimidos por um estado de exceção. No Peru, o povo trabalhador já começa a mobilizar-se contra a fraude eleitoral fujimorista. No Chile, a juventude mobiliza-se massivamente contra os ajustes de Kast. E, na Argentina, além das importantes ações em apoio ao povo boliviano, há mobilizações contra Milei.
Por outro lado, o imperialismo estadunidense, que apoia Paz, vem de uma derrota militar diante do Irã, o que enfraquece sua capacidade de ação no mundo e na região, apesar das declarações incendiárias contra o povo boliviano.
Por um governo encabeçado pelas organizações em luta!
As organizações que permanecem em luta decidiram, apesar do pacto traidor da COB, continuar as mobilizações e os bloqueios pelas reivindicações sociais, populares, operárias e camponesas. Com uma perspectiva clara de um governo do povo trabalhador na Bolívia, somando e unificando a base de mais setores, a luta poderá sustentar-se, massificar-se e triunfar, derrotando o estado de exceção e todo o regime encabeçado por Rodrigo Paz.
Partido dos Trabalhadores
20 de junho de 2026


