{"id":11474,"date":"2022-08-12T15:44:41","date_gmt":"2022-08-12T15:44:41","guid":{"rendered":"http:\/\/uit-ci.org\/?p=11474"},"modified":"2022-08-12T15:44:41","modified_gmt":"2022-08-12T15:44:41","slug":"declaracao-sobre-a-situacao-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uit-ci.org\/index.php\/2022\/08\/12\/declaracao-sobre-a-situacao-mundial\/?lang=pt-br","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o sobre a situa\u00e7\u00e3o mundial"},"content":{"rendered":"<p><b>A invas\u00e3o \u00e0 Ucr\u00e2nia agudizou a crise do capitalismo<\/b><\/p>\n<p><b>1. A invas\u00e3o de Putin provocou um salto na crise e cat\u00e1strofe do sistema capitalista-imperialista<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A guerra na Ucr\u00e2nia \u2013 que j\u00e1 dura 5 meses \u2013 evidenciou a gravidade da crise global do capitalismo. Infla\u00e7\u00e3o em todo o planeta, risco de recess\u00e3o global, aumento dos pre\u00e7os da energia, dos alimentos, aumento da desigualdade social, mais gastos em armamentos, avan\u00e7o do aquecimento global e novas rebeli\u00f5es dos povos. O imperialismo, o FMI e os governos pretendem fazer com que essa crise caia sobre os ombros da classe trabalhadora, o que ter\u00e1 enormes consequ\u00eancias na luta de classes mundial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os porta-vozes do imperialismo norte-americano e europeu querem justificar essa cat\u00e1strofe argumentando que tudo se deve \u00e0 invas\u00e3o de Putin na Ucr\u00e2nia. Sem d\u00favidas esse \u00e9 um fator importante. No entanto, a guerra apenas est\u00e1 colocando mais lenha na fogueira da crise global, que j\u00e1 vinha impactando a economia mundial e todo o sistema capitalista-imperialista desde o estouro de 2007, agravando-se com a pandemia da Covid-19.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que est\u00e1 ocorrendo confirma a defini\u00e7\u00e3o feita pela UIT-QI em meados de 2020, de que vivemos \u201ca crise mais grave da hist\u00f3ria\u201d do capitalismo. Naquele momento, apontamos \u201cque a Covid-19 provocou um salto na crise econ\u00f4mica do capitalismo aberta em 2007\/2008 [&#8230;] Uma nova crise aguda e, portanto, a defini\u00e7\u00e3o \u00e9 que estamos na crise mais grave do capitalismo em sua hist\u00f3ria\u201d [&#8230;] N\u00e3o \u00e9 mais do mesmo da crise anterior, mas um salto, que provoca uma crise in\u00e9dita no capitalismo, com suas consequ\u00eancias para a burguesia e tamb\u00e9m para as massas. Estamos diante de uma mudan\u00e7a colossal para o capitalismo e para a humanidade em seu conjunto\u201d. (Documento \u201cAtualiza\u00e7\u00e3o da Situa\u00e7\u00e3o Mundial\u201d, VII Congresso da UIT-QI, 10\/08\/2020).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A invas\u00e3o de Putin na Ucr\u00e2nia se explica nesse contexto de crise aguda, de maior retrocesso econ\u00f4mico e choques interburgueses pela divis\u00e3o dos esp\u00f3lios da explora\u00e7\u00e3o. A R\u00fassia vem sofrendo uma grande deteriora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Putin teve que ajustar seu povo trabalhador e aumentar a repress\u00e3o interna, o que provocou grande desgaste pol\u00edtico. Nas elei\u00e7\u00f5es de setembro de 2021, retrocedeu em votos. Tamb\u00e9m teve que reprimir as rebeli\u00f5es populares da Bielorr\u00fassia e do Cazaquist\u00e3o. Putin invadiu a Ucr\u00e2nia em uma desesperada manobra pol\u00edtico-militar, para tentar contrabalancear sua deteriora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, unindo o povo russo em torno de uma falsa \u201cdefesa da p\u00e1tria\u201d, al\u00e9m de disputar espa\u00e7os com as outras pot\u00eancias imperialistas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A guerra da Ucr\u00e2nia \u00e9 a express\u00e3o da crise e, por sua vez, aprofunda-a por suas consequ\u00eancias pol\u00edticas, econ\u00f4micas e sociais.<\/span><\/p>\n<p><b>2. Expande-se a crise econ\u00f4mica capitalista mundial\u00a0<\/b><b><\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A economia mundial capitalista est\u00e1 sofrendo um novo abalo. Todos os dados apontam um novo retrocesso dos indicadores do suposto crescimento e recupera\u00e7\u00e3o que afirmavam os organismos imperialistas. Muitos analistas burgueses j\u00e1 falam de uma poss\u00edvel recess\u00e3o na Europa e nos Estados Unidos. Espalha-se o pessimismo. Jamie Dimon, presidente da JPMorgan Chase, um dos banqueiros mais poderosos do mundo, disse: \u201cOs problemas econ\u00f4micos n\u00e3o s\u00e3o passageiros. As coisas podem piorar muito&#8230;\u201d (El Pa\u00eds, 09\/07\/2022).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os dados explicam esse pessimismo patronal. Aumentaram drasticamente os pre\u00e7os da energia e dos alimentos. A Zona do Euro pode entrar em uma recess\u00e3o no final do ano. A infla\u00e7\u00e3o mundial dispara e chega ao seu maior registro em 34 anos. A guerra \u00e9 um fator, mas n\u00e3o a causa principal dessa crise. \u201cA guerra nitidamente afetou os pre\u00e7os dos alimentos e da energia, porque a R\u00fassia \u00e9 uma forte exportadora desses produtos, e a Ucr\u00e2nia de alimentos; no entanto, a infla\u00e7\u00e3o vinha crescendo desde antes do in\u00edcio da guerra, o que demonstra que o conflito n\u00e3o \u00e9 o principal motivo da acelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o\u201d. (Ricardo Arriazu, Clar\u00edn, Argentina, 22 de maio de 2022). Nos Estados Unidos, marca-se um recorde inflacion\u00e1rio de 9,1%, o maior em 40 anos. Na Zona do Euro, chegou ao incomum 8,6% interanual. Na Turquia, 73,5%, 80% na Argentina e 130% no Zimb\u00e1bue.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em meio ao aprofundamento da crise, cresce o saque imperialista, atrav\u00e9s do aumento das d\u00edvidas externas, em especial nas semicol\u00f4nias. Calcula-se que \u201ca d\u00edvida p\u00fablica mundial, que em 2021 aumentou em 7,8%, at\u00e9 os 65,4 trilh\u00f5es de d\u00f3lares, disparou este ano 9,5%, at\u00e9 alcan\u00e7ar um recorde de 71,6 trilh\u00f5es de d\u00f3lares\u201d (Europa Press, La Naci\u00f3n, Argentina, 05\/05\/2022).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A escalada inflacion\u00e1ria, que empobrece bilh\u00f5es de fam\u00edlias trabalhadoras, est\u00e1 gerando lucros ca\u00eddos do c\u00e9u para os grandes monop\u00f3lios energ\u00e9ticos, aliment\u00edcios e banc\u00e1rios.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo Laurence Boone, economista chefe da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), \u201ch\u00e1 bastante petr\u00f3leo no mundo que n\u00e3o est\u00e1 sendo utilizado para compensar totalmente o embargo sobre o petr\u00f3leo russo. N\u00e3o teria por que produzir-se esse aumento do pre\u00e7o se os Estados do Golfo e a OPEP liberassem esse petr\u00f3leo\u201d (do El Pa\u00eds, em La Naci\u00f3n, 12\/06\/2022). Dito de outra forma: s\u00e3o as multinacionais do petr\u00f3leo que especulam com o pre\u00e7o para manter seus lucros astron\u00f4micos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tudo isso est\u00e1 produzindo uma nova e vertiginosa queda do n\u00edvel de vida das massas no mundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A fome n\u00e3o deixa de crescer. 828 milh\u00f5es de pessoas passaram fome em 2021, 46 milh\u00f5es de pessoas a mais do que no ano anterior e 150 milh\u00f5es a mais do que em 2019. Em torno de 2,3 bilh\u00f5es de pessoas no mundo (29,3%) se encontravam em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar moderada ou grave em 2021, isto \u00e9, 350 milh\u00f5es de pessoas a mais do que antes do surto da pandemia da Covid-19 (Dados do Informe da ONU, julho de 2022). Calcula-se que, em 2022, \u201cao menos 276 milh\u00f5es de pessoas enfrentam inseguran\u00e7a alimentar aguda neste momento [&#8230;] 40 milh\u00f5es de pessoas em 43 pa\u00edses est\u00e3o \u00e0 beira da fome [&#8230;] estamos em uma crise sem precedentes\u201d (Alerta da ONU, citado pelo The New York Times e reproduzido no Clar\u00edn, 21\/05\/2022).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A isso \u00e9 preciso agregar a crise migrat\u00f3ria por guerras e fome. Em torno de 7 milh\u00f5es de pessoas teriam sa\u00eddo da Ucr\u00e2nia. Segundo Acnur, mais de 3 mil migrantes da \u00c1frica morreram em 2021 ao tentar chegar \u00e0 Europa por via mar\u00edtima. A brutalidade policial do Estado espanhol e do Marrocos provocou a morte de ao menos 37 jovens migrantes em Melilla. Em maio, detiveram mais de 239 mil pessoas na fronteira M\u00e9xico-EUA, uma cifra recorde.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A crise econ\u00f4mica capitalista n\u00e3o tem sa\u00edda, \u00e9 cr\u00f4nica, e seus efeitos ser\u00e3o cada vez piores. O imperialismo e os governos capitalistas tratam de impor novos planos de superexplora\u00e7\u00e3o para sair da crise, o que provoca uma exacerba\u00e7\u00e3o da luta de classes.<\/span><\/p>\n<p><b>3. Nova onda de lutas no mundo<\/b><b><\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A classe trabalhadora e os setores oprimidos est\u00e3o respondendo a essa contraofensiva capitalista com greves oper\u00e1rias e rebeli\u00f5es populares, como foi, por exemplo, no Sri Lanka e no Equador.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Trata-se de uma nova onda mundial de lutas. Em 2019, produziu-se um grande ascenso mundial, que teve seu ponto mais alto na mobiliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria do Chile contra Pi\u00f1era, precedida pelas lutas do Equador, dos \u201cColetes Amarelos\u201d da Fran\u00e7a, a longa greve da General Motors nos Estados Unidos, a rebeli\u00e3o popular do L\u00edbano e as lutas da onda verde do movimento de mulheres, com a greve mundial do dia 8 de mar\u00e7o. O novo dessa onda \u00e9 que teve o refor\u00e7o da mobiliza\u00e7\u00e3o da juventude contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Em 2020, a Covid-19 produziu um impasse, contendo os protestos, mas essa conten\u00e7\u00e3o foi rompida com a rebeli\u00e3o antirracista nos Estados Unidos contra Trump, no contexto do assassinato de George Floyd. Houve outras lutas, mas n\u00e3o chegaram ao mesmo n\u00edvel da onda de 2019. Em 2021, destacaram-se a rebeli\u00e3o da Col\u00f4mbia e os protestos in\u00e9ditos do 11J em Cuba.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde junho de 2022, est\u00e1 aberta esta nova onda. Ela foi antecipada pela primeira revolta no Sri Lanka, em maio, que derivou na suspens\u00e3o dos pagamentos da d\u00edvida externa. Em julho, produziu-se uma insurrei\u00e7\u00e3o popular com centenas de milhares nas ruas, tomando o pal\u00e1cio presidencial e fazendo o presidente fugir e renunciar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No Equador, produziu-se outra rebeli\u00e3o popular ind\u00edgena contra o aumento dos combust\u00edveis, que conseguiu um triunfo parcial, com uma redu\u00e7\u00e3o das tarifas. Na Am\u00e9rica Latina, somaram-se a greve e marchas no Panam\u00e1, que ainda est\u00e3o em curso, a greve dos mineiros do cobre no Chile, greves por sal\u00e1rio no Brasil e rebeli\u00f5es de docentes no interior da Argentina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na Europa, o aumento de pre\u00e7os, que n\u00e3o se conhecia h\u00e1 d\u00e9cadas, junto aos an\u00fancios de cortes no fornecimento e na temperatura da calefa\u00e7\u00e3o, est\u00e1 provocando uma onda de greves por aumento salarial. Houve uma greve geral na B\u00e9lgica. Quase uma greve geral no Reino Unido, com a greve de v\u00e1rios dias dos ferrovi\u00e1rios. Greves dos petroleiros na Noruega e Fran\u00e7a (Total), dos trabalhadores aeron\u00e1uticos em v\u00e1rios pa\u00edses e trabalhadores estatais, da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m houve greves no Ir\u00e3, encabe\u00e7ada por uma grande greve docente; na L\u00edbia, o parlamento foi incendiado por manifestantes em Tr\u00edpoli, que culpam os dois governos existentes pela p\u00e9ssima situa\u00e7\u00e3o social, e protestos massivos no Uzbequist\u00e3o, contra uma tentativa de reforma constitucional, que foi derrotada. A perspectiva \u00e9 de novos confrontos sociais e uma maior polariza\u00e7\u00e3o no mundo.<\/span><b><\/b><\/p>\n<p><b>4. Agudiza-se a crise pol\u00edtica do imperialismo e a \u201cdesordem mundial\u201d<\/b><b><\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A guerra iniciada por Putin na Ucr\u00e2nia mostra a profundidade da crise pol\u00edtica que atravessa o sistema capitalista-imperialista, o que se expressa em um aumento dos choques interburgueses e interimperialistas. N\u00e3o puderam, por exemplo, realizar uma sa\u00edda negociada com a R\u00fassia para parar a invas\u00e3o. Ap\u00f3s 5 meses, n\u00e3o conseguiram colocar um ponto final no conflito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um imperialismo menor, como \u00e9 a R\u00fassia, que tem uma economia da dimens\u00e3o do Brasil, atreve-se a avan\u00e7ar sobre a Ucr\u00e2nia porque sabe da debilidade pol\u00edtico-militar dos Estados Unidos, que est\u00e1 debilitado depois do fracasso e derrota no Afeganist\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Confirma-se que o imperialismo ianque, ainda que siga sendo dominante devido ao seu poderio econ\u00f4mico e militar, est\u00e1 atravessado pela crise global do capitalismo. Os Estados Unidos, como gendarme mundial, est\u00e3o h\u00e1 d\u00e9cadas buscando \u201ccolocar ordem\u201d no mundo. Mas, desde a falida invas\u00e3o de Bush no Iraque (2003) e a posterior agudiza\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica de 2007 (j\u00e1 sob Obama), o que predomina \u00e9 a \u201cdesordem mundial\u201d. A continuidade da guerra, o aprofundamento da crise econ\u00f4mica e a nova onda de lutas confirmam isso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A a\u00e7\u00e3o desafiante de Putin levou ao oposto do que pretendia, que era debilitar a OTAN e a unidade EUA-Uni\u00e3o Europeia. A c\u00fapula da OTAN em Madrid (junho) mostrou fortalecimento com a possibilidade de novas entradas (Finl\u00e2ndia e Su\u00e9cia). Cresce o armamentismo imperialista na Europa, em especial na Alemanha. Com a OTAN e sua extens\u00e3o, o imperialismo ocidental usa a guerra da Ucr\u00e2nia para fortalecer a semicoloniza\u00e7\u00e3o do Leste Europeu e articula um aparato repressivo preventivo para atuar contra futuras rebeli\u00f5es e revolu\u00e7\u00f5es. No entanto, esse fortalecimento da OTAN \u00e9 relativo, j\u00e1 que n\u00e3o deixa de pesar sobre ela as derrotas pol\u00edticas-militares como a do Afeganist\u00e3o. Por isso, os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Europeia tratam de impedir toda a possibilidade de intervir militarmente de forma direta na Ucr\u00e2nia, para que a guerra n\u00e3o saia de suas fronteiras. Seu objetivo final \u00e9 buscar melhores condi\u00e7\u00f5es para negociar uma paz com Putin, pelas costas do povo ucraniano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por outro lado, est\u00e1 a China, que mant\u00e9m uma postura de n\u00e3o denunciar a invas\u00e3o de Putin, mas n\u00e3o est\u00e1 fora da crise global, tanto econ\u00f4mica como pol\u00edtica. Sua economia j\u00e1 n\u00e3o cresce a dois d\u00edgitos, os investimentos estrangeiros retrocedem, os protestos de poupadores crescem e a queda do consumo mundial ir\u00e1 afet\u00e1-la. Isso tudo indica que crescer\u00e3o os atritos interburgueses, em especial com os Estados Unidos. Em paralelo, a ditadura do Partido Comunista da China vem levantando o objetivo de recuperar Taiwan como agita\u00e7\u00e3o interna \u201cpopular nacionalista\u201d e como arma de chantagem para negocia\u00e7\u00f5es com os Estados Unidos, o que representa outro fator de crise latente e anuncia novos atritos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto isso, segue a destrui\u00e7\u00e3o ambiental. Pela crise energ\u00e9tica, h\u00e1 uma retomada do uso do carv\u00e3o. Alemanha e \u00c1ustria, por exemplo, estabeleceram que podem aproveitar as centrais de reserva de carv\u00e3o, que atualmente estavam dispon\u00edveis somente como \u00faltimo recurso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A crise do sistema capitalista-imperialista faz os governos se defrontarem com poss\u00edveis situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o desejadas, de descontrole, que podem levar a novas guerras regionais. Tampouco se pode excluir a possibilidade de uma extens\u00e3o da atual guerra na Ucr\u00e2nia, e seguir\u00e1 vigente o risco de uma terceira guerra mundial, inclusive com o uso de armas nucleares. Guerras que afetam e afetar\u00e3o os explorados do mundo. \u00c9 parte dos perigos que acompanham a decad\u00eancia crescente do imperialismo e do capitalismo. Por isso, como socialistas revolucion\u00e1rios, dizemos que o dilema segue sendo \u201cSocialismo ou Cat\u00e1strofe\u201d. Nessa luta estrat\u00e9gica, n\u00f3s, da UIT-QI, opomo-nos totalmente a toda forma de armamentismo imperialista e estamos pela dissolu\u00e7\u00e3o da OTAN e pelo fim de suas bases no mundo. Nesse marco, seguimos dizendo \u201cFora Putin da Ucr\u00e2nia\u201d, \u201cApoiemos a resist\u00eancia do povo ucraniano\u201d e \u201cN\u00e3o \u00e0 OTAN\u201d.\u00a0<\/span><b><\/b><\/p>\n<p><b>5. Segue a tend\u00eancia ao desgaste e crise dos governos e regimes capitalistas<\/b><b><\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A crise sem precedentes do sistema capitalista e a intensifica\u00e7\u00e3o dos ataques contra o povo trabalhador e os setores populares aumentam o descontentamento e a mobiliza\u00e7\u00e3o dos povos. Tudo isso alimenta o desgaste e a crise dos governos capitalistas e o descr\u00e9dito dos dirigentes e partidos patronais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa tend\u00eancia segue vigente na atual conjuntura mundial. Os exemplos s\u00e3o abundantes. O Sri Lanka, como j\u00e1 dissemos, \u00e9 o ponto mais alto, com um governo derrubado por uma insurrei\u00e7\u00e3o popular. A ren\u00fancia de Boris Johnson se d\u00e1 n\u00e3o somente pelo esc\u00e2ndalo do caso de abuso sexual, mas tamb\u00e9m no contexto de uma das crises econ\u00f4micas e sociais mais fortes no Reino Unido desde os anos 1980. A crescente infla\u00e7\u00e3o, a maior greve dos transportes nos \u00faltimos 30 anos, de profissionais da educa\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade, do judici\u00e1rio, com manifesta\u00e7\u00f5es e demais a\u00e7\u00f5es que denunciam os sal\u00e1rios de mis\u00e9ria e os ataques a direitos trabalhistas. O outro governo imperialista abalado foi Emmanuel Macron, na Fran\u00e7a. Em junho, sofreu uma dura derrota no segundo turno das elei\u00e7\u00f5es legislativas. A alian\u00e7a de Macron n\u00e3o conseguiu obter a maioria absoluta que ostentava na Assembleia Nacional. Seu desgaste vem das mobiliza\u00e7\u00f5es dos \u201cColetes Amarelos\u201d e das reiteradas greves ferrovi\u00e1rias e de outros setores da classe trabalhadora. Na It\u00e1lia, Mario Draghi renunciou ao governo, sendo que havia assumido com grandes expectativas e agora \u00e9 questionado pela crise social. No Estado espanhol, o governo do PSOE-IU\/Podemos, o \u00fanico governo da OTAN com ministros do PC, v\u00ea como se agudizam suas tens\u00f5es internas pela pol\u00edtica antioper\u00e1ria, repressiva e mon\u00e1rquica que aplica. Nos Estados Unidos, a figura de Biden n\u00e3o deixa de despencar nas pesquisas, devido aos efeitos da inesperada infla\u00e7\u00e3o. O desgaste afeta tanto governos de ultradireita como de centroesquerda. No Brasil, cresce o rep\u00fadio popular ao direitista Bolsonaro, que pode ser derrotado em sua tentativa de reelei\u00e7\u00e3o. No Peru, o novo governo de centroesquerda de Pedro Castillo vive de crise em crise e j\u00e1 queimou as poucas expectativas que restavam no povo que o elegeu. Na Argentina, o governo peronista de Alberto Fern\u00e1ndez sofre um rep\u00fadio popular em meio \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de um ajuste acordado com o FMI. Na Am\u00e9rica Latina, o desgaste dos governos de direita liberal e as rebeli\u00f5es populares levaram a triunfos eleitorais in\u00e9ditos de alian\u00e7as da esquerda reformista no Chile (Boric) e na Col\u00f4mbia (Petro). No entanto, imersos na atual crise econ\u00f4mica e sem oferecer mudan\u00e7as de fundo que rompam com o capitalismo, a tend\u00eancia ser\u00e1 de um r\u00e1pido desgaste e crise de sua base popular.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O rep\u00fadio aos pol\u00edticos e partidos patronais tradicionais tamb\u00e9m levou a uma polariza\u00e7\u00e3o que tem express\u00f5es eleitorais na ultradireita neofascista, como o Vox, no Estado espanhol, Javier Milei, na Argentina, Le Pen, na Fran\u00e7a, \u201cChega\u201d, em Portugal, e, anteriormente, Bolsonaro, no Brasil, e Trump, nos EUA, entre outros. Ainda que essas distintas express\u00f5es de ultradireita tenham tido avan\u00e7os e retrocessos e algumas ainda sejam incipientes, n\u00e3o deixam de ser um sinal de alerta para as e os trabalhadores. Diante da maior polariza\u00e7\u00e3o social e crescimento das mobiliza\u00e7\u00f5es das massas, surgem, perigosamente, setores burgueses que alentam o endurecimento da repress\u00e3o para impor seus planos reacion\u00e1rios. N\u00f3s, socialistas revolucion\u00e1rios, devemos denunciar e combater de forma permanente toda tentativa de fazer ressurgir essas forma\u00e7\u00f5es ultrarreacion\u00e1rias.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A tend\u00eancia ser\u00e1 o surgimento de novas express\u00f5es de crise dos governos e regimes burgueses e suas quedas por meio das mobiliza\u00e7\u00f5es. A quest\u00e3o da crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria segue sendo o elo mais fraco da classe trabalhadora e dos povos do mundo. N\u00f3s, da UIT-QI, convocamos a intervir nos processos de luta, dando a batalha por novas dire\u00e7\u00f5es contra os velhos aparatos e pela constru\u00e7\u00e3o de partidos socialistas revolucion\u00e1rios, com as t\u00e1ticas de unidade de a\u00e7\u00e3o e de unir os revolucion\u00e1rios com um programa de independ\u00eancia de classe.<\/span><b><\/b><\/p>\n<p><b>6. Que a crise capitalista n\u00e3o seja paga pela classe trabalhadora<\/b><b><\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A crise econ\u00f4mica do capitalismo imperialista atinge todos os rinc\u00f5es do planeta. Submete bilh\u00f5es da classe trabalhadora e dos explorados ao rebaixamento sistem\u00e1tico dos sal\u00e1rios, ao desemprego, \u00e0 marginalidade ou \u00e0 migra\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O imperialismo, suas multinacionais, o FMI e os governos capitalistas querem descarregar sobre os ombros das massas exploradas a crise que provocaram. As rebeli\u00f5es do Sri Lanka, do Equador, das greves oper\u00e1rias europeias, as greves e protestos massivos na Am\u00e9rica Latina, entre outras, mostram-nos o caminho para derrotar essa contraofensiva capitalista.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00f3s, da UIT-QI, impulsionamos e apoiamos essas rebeli\u00f5es e lutas dos povos do mundo, para acabar com o sistema capitalista-imperialista, iniciando o caminho do Socialismo. Propomos um programa que mobilize as massas e a constitui\u00e7\u00e3o de um movimento internacional, com base na mais ampla unidade de a\u00e7\u00e3o anticapitalista, com a palavra de ordem: \u201cQue a crise n\u00e3o seja paga pela classe trabalhadora! Que ela seja paga pelos capitalistas!\u201d. Um programa que inclua, entre outras, palavras de ordem como: N\u00e3o ao pagamento das d\u00edvidas externas; N\u00e3o aos tarifa\u00e7os; Aumento emergencial de sal\u00e1rios, indexados mensalmente de acordo com a infla\u00e7\u00e3o; Estatiza\u00e7\u00e3o das empresas de energia sob controle oper\u00e1rio; Altos impostos \u00e0s grandes empresas e bancos; Por planos econ\u00f4micos de emerg\u00eancia oper\u00e1rios e populares.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Secretariado Internacional da UIT-QI<\/b><\/p>\n<p><b>19 de Julho de 2022<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A invas\u00e3o \u00e0 Ucr\u00e2nia agudizou a crise do capitalismo 1. A invas\u00e3o de Putin provocou um salto na crise e cat\u00e1strofe do sistema capitalista-imperialista A guerra na Ucr\u00e2nia \u2013 que j\u00e1 dura 5 meses \u2013 evidenciou a gravidade da crise global do capitalismo. 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