{"id":1164,"date":"2015-08-26T19:07:07","date_gmt":"2015-08-26T19:07:07","guid":{"rendered":"http:\/\/uit-ci.org\/index.php\/2015\/08\/26\/a-renuncia-de-tsipras-e-uma-manobra-para-fortalecer-o-pacto-com-a-troika\/"},"modified":"2015-08-26T19:07:07","modified_gmt":"2015-08-26T19:07:07","slug":"a-renuncia-de-tsipras-e-uma-manobra-para-fortalecer-o-pacto-com-a-troika","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uit-ci.org\/index.php\/2015\/08\/26\/a-renuncia-de-tsipras-e-uma-manobra-para-fortalecer-o-pacto-com-a-troika\/","title":{"rendered":"A ren\u00fancia de Tsipras \u00e9 uma manobra para fortalecer o pacto com a Troika"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\" alignleft size-full wp-image-1160\" style=\"margin-right: 5px; float: left;\" src=\"http:\/\/uit-ci.org\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/grecia-renuncia-tsipras.jpg\" alt=\"Por um bloco unit\u00e1rio da esquerda e dos trabalhadores para derrotar o novo memorando\" width=\"324\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/uit-ci.org\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/grecia-renuncia-tsipras.jpg 600w, https:\/\/uit-ci.org\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/grecia-renuncia-tsipras-300x185.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 324px) 100vw, 324px\" \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Por um bloco unit\u00e1rio da esquerda e dos trabalhadores para derrotar o novo memorando<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Declara\u00e7\u00e3o da UIT-QI<\/em><\/p>\n<p>Em 20 de agosto Alex Tsipras renunciou como primeiro ministro da Gr\u00e9cia, para obrigar que se convoquem novas elei\u00e7\u00f5es ainda no m\u00eas de setembro. Trata-se de uma manobra que busca superar a crise pol\u00edtica que sua capitula\u00e7\u00e3o \u00e0 Troika&nbsp;(FMI, Uni\u00e3o Europeia e o Banco Central Europeio \u2013BCE-) provocou no Syriza.<\/p>\n<p>Em&nbsp;cinco de julho o povo grego havia dito n\u00e3o (OXI) a um novo memorando com a Troika em um referendo convocado por Tsipras. Poucos dias depois dessa vota\u00e7\u00e3o o mesmo Tsipras e seu governo desconheceram esse resultado. Eles disseram sim \u00e0 Troika e acordaram um novo memorando que significa um ajuste pior que os anteriores. Uma trai\u00e7\u00e3o em tempo recorde!<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>O acordo desencadeou uma grave crise no Syriza. Houve uma vota\u00e7\u00e3o da maioria do seu Comit\u00ea Central contra o acordo, e isto levou a que cerca de 40 deputados da ala esquerda de Syriza o recha\u00e7aram no parlamento. Isto fez com que Tsipras tivesse que pactuar com os deputados dos partidos patronais conservadores como Nova Democracia e outros para garantir a maioria parlamentar. Em 15 de julho a Confedera\u00e7\u00e3o Sindical dos Empregados P\u00fablicos e Professores (Adedy) chamou a uma greve geral e uma marcha com apoio dos setores da esquerda que recha\u00e7am o pacto e a pol\u00edtica do governo.<\/p>\n<p>O in\u00edcio do ver\u00e3o europeu e a surpresa inicial das massas impediu que, circunstancialmente, os protestos se massificassem. No entanto, o fim do ver\u00e3o e os primeiros efeitos do ajuste far\u00e3o que os protestos cres\u00e7am depois de setembro. Por isso Tsipras se adianta e faz esta manobra eleitoral buscando unificar seu partido e seu governo. Pretende ter maioria parlamentar, tirando da frente a ala esquerda do Syriza e reafirmando-se antes de que cres\u00e7am os protestos oper\u00e1rios e populares.<\/p>\n<p><strong>O novo memorando \u00e9 um brutal ajuste contra o povo<\/strong><\/p>\n<p>O novo acordo de Tsipras, chamado de \u00abterceiro resgate\u00bb, \u00e9 um ajuste pior que os anteriores contra o povo trabalhador. Com a hist\u00f3ria &nbsp;de que \u00abn\u00e3o havia outra sa\u00edda\u00bb e que ser\u00e1 \u00abum ajuste equilibrado socialmente\u00bb, Tsipras e seu governo pactuaram um ajuste com um novo rebaixamento de aposentadorias, &nbsp;liberaliza\u00e7\u00e3o das leis trabalhistas e novas privatiza\u00e7\u00f5es t\u00e3o descaradas que diretamente o memorando estabelece que 14 aeroportos relacionados com o turismo sejam adquiridos pela empresa alem\u00e3 Fraport.<\/p>\n<p>Nunca como agora tem ficado em tanta evid\u00eancia o fracasso total dos projetos pol\u00edticos da centro-esquerda, que asseguram que pactuando com setores burgueses e negociando com o FMI e o imperialismo v\u00e3o dar uma sa\u00edda \u00e0 crise social que provoca o sistema capitalista e seus ajustes. Repetem o fracasso que j\u00e1 se vive na Am\u00e9rica Latina com governos patronais, de concilia\u00e7\u00e3o de classes, como em Venezuela, Bol\u00edvia ou Brasil, com discursos de \u00abesquerda\u00bb, que terminam pactuando com as multinacionais, os grandes empres\u00e1rios e governam contra o povo. O governo de Syriza repete esse mesmo caminho, de forma acelerada, acordando com todos os partidos patronais gregos e com a Troika. Seis meses depois de eleito, renuncia para se manter no poder.<\/p>\n<p>Tal \u00e9 o pacto e a manobra de sua ren\u00fancia, que a maior parte dos representantes do imperialismo e os banqueiros apoiam a jogada de novas elei\u00e7\u00f5es para que Tsipras revalide seu mandato. Ante o desprest\u00edgio crescente dos velhos partidos e dirigentes patronais gregos, a Troika aposta em Syriza e Tsipras para seguir com o ajuste e o saque das riquezas em Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p>O presidente do Eurogrupo, o holand\u00eas Jeroen Dijsselbloem, disse, por exemplo, que espera que \u00abas elei\u00e7\u00f5es deem um apoio ainda maior ao terceiro resgate no Parlamento grego\u00bb. Thomas Wieser, o alem\u00e3o que dirige os diretores dos tesouros europeus assinalou: \u00abera uma etapa esperada e para muitos era uma etapa desejada para ter uma estrutura mais clara no governo grego\u00bb (Clarin, Argentina, 21\/8). Mais n\u00edtido que isso \u00e9 imposs\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>Pela ruptura com a UE, a Troika e o n\u00e3o pagamento da d\u00edvida. N\u00e3o ao memorando. Por um bloco de luta de toda a esquerda e os trabalhadores<\/strong><\/p>\n<p>Abre-se um novo momento em Gr\u00e9cia para os trabalhadores, a juventude e a esquerda. Tsipras aprovou o memorando em acordo com a direita. \u00c9 prov\u00e1vel que Syriza inclusive possa ganhar as elei\u00e7\u00f5es pela confus\u00e3o existente e pela chantagem de \u00abque pior \u00e9 que voltem os governos de direita\u00bb.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio derrotar com a mobiliza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria, juvenil e popular o novo memorando pactuado por Tsipras e a Troika. Para abrir esse caminho se necessita preparar uma nova alternativa pol\u00edtica que convoque a mobiliza\u00e7\u00e3o. Precisa-se de unidade, um bloco de toda a esquerda e os sindicatos que disseram n\u00e3o ao memorando e ao ajuste.<\/p>\n<p>A esquerda de Syriza anunciou a ruptura com seu partido e a conforma\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o Unidade Popular, integrado por 24 deputados ex Syriza e que se define como uma frente que reagrupar\u00e1 a esquerda \u00abcontra o novo memorando, contra a austeridade e contra a tutela do pa\u00eds\u00bb. E entre as propostas est\u00e3o o recha\u00e7o \u00e0s privatiza\u00e7\u00f5es e a nacionaliza\u00e7\u00e3o, para controlar os setores estrat\u00e9gicos da economia, iniciando pelo setor banc\u00e1rio, assim como a sa\u00edda da zona do euro e da OTAN (alian\u00e7a militar imperialista) e ruptura de pactos militares com Israel.<\/p>\n<p>Sua convocat\u00f3ria \u00e9 eleitoral, mas tamb\u00e9m dizem que \u00e9 \u00abpara mobilizar a todas as for\u00e7as sociais que queiram lutar contra a austeridade e os memorandos\u00bb. Esta ruptura \u00e9 um passo progressivo. Por cima das diferen\u00e7as pol\u00edticas que possamos ter com estas correntes ou com outras organiza\u00e7\u00f5es que se reivindicam socialistas revolucion\u00e1rias, \u00e9 necess\u00e1rio lutar para que essa unidade se concretize de fato.<\/p>\n<p>O que se necessita com urg\u00eancia \u00e9 um bloco ou frente unit\u00e1rio de esquerda eleitoral e de mobiliza\u00e7\u00e3o. Um bloco unit\u00e1rio que aproveite as elei\u00e7\u00f5es para apresentar uma postura \u00fanica que reagrupe a esquerda e os setores combativos do movimento sindical e popular para preparar a mobiliza\u00e7\u00e3o. Um bloco ou frente que agrupe a Unidade Popular com os setores de esquerda por fora do Syriza, como Antarsya, OKDE e os setores sindicais e populares que estiveram pelo n\u00e3o (OXI) e recha\u00e7am a trai\u00e7\u00e3o de Alex Tsipras. Para iniciar um calend\u00e1rio de mobiliza\u00e7\u00e3o nacional e impor um plano de emerg\u00eancia oper\u00e1rio e popular que rompa com este acordo, suspenda o pagamento da d\u00edvida, rompa com a Uni\u00e3o Europeia e o Euro, nacionalize os bancos sob controle dos trabalhadores, entre outras medidas, convocando a solidariedade internacional por essas bandeiras de ruptura, na luta por um novo governo, dos trabalhadores e do povo. Os trabalhadores podem abrir um novo caminho na Gr\u00e9cia, de soberania, contra o imperialismo e sua coloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Secretariado Internacional da UIT-QI&nbsp;(Unidade Internacional dos Trabalhadores-Quarta Internacional)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>24 de agosto de 2015<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por um bloco unit\u00e1rio da esquerda e dos trabalhadores para derrotar o novo memorando Declara\u00e7\u00e3o da UIT-QI Em 20 de agosto Alex Tsipras renunciou como primeiro ministro da Gr\u00e9cia, para obrigar que se convoquem novas elei\u00e7\u00f5es ainda no m\u00eas de setembro. 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