{"id":21781,"date":"2025-05-14T14:24:57","date_gmt":"2025-05-14T14:24:57","guid":{"rendered":"http:\/\/uit-ci.org\/?p=21781"},"modified":"2025-05-14T14:24:57","modified_gmt":"2025-05-14T14:24:57","slug":"as-mulheres-trans-sao-mulheres-contra-a-transfobia-organizar-e-lutar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uit-ci.org\/index.php\/2025\/05\/14\/as-mulheres-trans-sao-mulheres-contra-a-transfobia-organizar-e-lutar\/?lang=pt-br","title":{"rendered":"As mulheres trans s\u00e3o mulheres! Contra a transfobia, organizar e lutar!"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por Cristina Darriba e Arnau A., da Luta Internacionalista (LI), sec\u00e7\u00e3o da UIT-QI no Estado Espanhol<\/em><\/strong><\/p>\n<p>No dia 16 de abril, o Supremo Tribunal do Reino Unido decidiu que o termo \u2018mulher\u2019, tal como consta da \u2018Lei da Igualdade\u2019 (uma lei de 2010 que visa proteger, legalmente, as pessoas contra a discrimina\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho, e na sociedade em geral, com base em nove carater\u00edsticas: idade, defici\u00eancia, ra\u00e7a, religi\u00e3o ou cren\u00e7a, sexo, gravidez e maternidade, orienta\u00e7\u00e3o sexual, casamento e parceria civil, e mudan\u00e7a de sexo), se refere \u2013 exclusivamente \u2013 ao sexo biol\u00f3gico. A decis\u00e3o foi promovida pela organiza\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria \u2018For Women Scotland\u2019 (Pelas Mulheres Esc\u00f3cia), cujos porta-vozes descrevem as mulheres trans como \u201chomens autorizados a ser mulheres\u201d. Esta decis\u00e3o do poder judicial brit\u00e2nico representa um novo ataque aos direitos das pessoas trans, especialmente das mulheres, negando a sua exist\u00eancia, e empurrando-as ainda mais para a marginaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sob o pretexto de \u201cdefender as mulheres\u201d, tanto as institui\u00e7\u00f5es reacion\u00e1rias, como as Feministas Radicais Trans-Excludentes (TERF\u2019s), utilizam argumentos baseados em fal\u00e1cias e transfobia. Afirmam que as mulheres trans procuram invadir espa\u00e7os \u2018femininos\u2019 ou beneficiar de quotas de trabalho. Nada poderia estar mais longe da verdade: estudos mostram que as pessoas transg\u00e9nero s\u00e3o precisamente as que enfrentam maiores barreiras no acesso ao mercado de trabalho, ocupam os empregos mais prec\u00e1rios, e sofrem elevados n\u00edveis de exclus\u00e3o social. A maioria \u00e9 mesmo obrigada a esconder a sua identidade por receio de ass\u00e9dio e discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O discurso do \u201capagamento das mulheres\u201d, presente a n\u00edvel internacional, visa diretamente todos os dissidentes sexuais e de g\u00e9nero, bem como todas as mulheres que n\u00e3o se enquadram nos seus ideais de feminilidade. Apesar de se autodenominarem\u00a0\u2018feministas\u2019 e \u2018de esquerda\u2019, estas organiza\u00e7\u00f5es acabam por defender a mesma heteronorma que a extrema-direita enaltece. Assim, o PSOE\u00a0(Partido Socialista Oper\u00e1rio Espanhol) acabou por ceder ao sector que se opunha \u00e0 \u2018Lei Trans\u2019 (\u2018Ley Trans\u2019 \u2013 uma lei de 2023 que permite a auto-identifica\u00e7\u00e3o do g\u00e9nero no Estado espanhol, permitindo que as pessoas mudem o seu sexo legal) e retirou o Q da sigla LGBTQIA+. Da mesma forma, o Partido Feminista de Espanha (PFE), liderado por Lidia Falc\u00f3n, centra a sua atividade \u00fanica e exclusivamente em campanhas que criminalizam as mulheres trans.<\/p>\n<p>Esta agenda reacion\u00e1ria \u00e9 impulsionada pela extrema-direita, mas apoiada pelas institui\u00e7\u00f5es e pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social. Figuras como Milei ou Trump patologizam a dissid\u00eancia, expulsam pessoas trans de cargos p\u00fablicos, e apelam abertamente \u00e0 luta contra a \u2018ideologia de g\u00e9nero\u2019 ou a \u2018Agenda Woke\u2019. Na Europa, governos como o da Hungria pro\u00edbem totalmente as manifesta\u00e7\u00f5es do Orgulho, perante o sil\u00eancio e a ina\u00e7\u00e3o de partidos supostamente progressistas.<\/p>\n<p>Mesmo em espa\u00e7os considerados representativos para as pessoas LGBTQIA+, como a Eurovis\u00e3o (um concurso televisivo amplamente seguido por pessoas LGBTQIA+), s\u00e3o aplicadas medidas de censura que cedem ao discurso de \u00f3dio. H\u00e1 algumas semanas, os artistas foram proibidos de mostrar bandeiras queer para \u201cevitar mensagens pol\u00edticas\u201d, ao mesmo tempo que o Estado de Israel \u00e9 autorizado a participar no meio do seu genoc\u00eddio acelerado em Gaza.<\/p>\n<p>O alinhamento dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social e dos poderes pol\u00edtico e judicial com discursos reacion\u00e1rios tem consequ\u00eancias diretas e fatais. As redes sociais tornam-se terreno f\u00e9rtil para campanhas LGBTIf\u00f3bicas, que incentivam a viol\u00eancia, e esta viol\u00eancia n\u00e3o se fica pelo simb\u00f3lico: \u00e9 retransmitida, normalizada, e celebrada, fazendo com que os agressores se sintam impunes. N\u00e3o podemos esquecer o assassinato de Samuel, na Corunha em 2021, nem o recente transfeminic\u00eddio de Sara Millerey, na Col\u00f4mbia, torturada e assassinada enquanto tudo era gravado em v\u00eddeo e transmitido nas redes. Estes actos de viol\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o acontecimentos isolados: s\u00e3o o resultado direto do \u00f3dio que \u00e9 promovido pelas institui\u00e7\u00f5es, e amplificado pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Temos de nos mobilizar contra esta onda reacion\u00e1ria, tal como aconteceu no Reino Unido, contra a decis\u00e3o de um sistema judicial retr\u00f3grado, ou nas ruas de todo o mundo, em mem\u00f3ria de Sara e em rep\u00fadio de todos os feminic\u00eddios.<\/p>\n<p>Nenhuma mulher camarada \u00e9 deixada para tr\u00e1s: perante o ataque constante \u00e0s nossas condi\u00e7\u00f5es materiais e \u00e0 nossa exist\u00eancia, \u00e9 tempo de nos organizarmos. Contra o cisheteropatriarcado e o capitalismo, construamos o partido revolucion\u00e1rio que nos permitir\u00e1 conquistar a liberta\u00e7\u00e3o afectiva, sexual e de g\u00e9nero.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Cristina Darriba e Arnau A., da Luta Internacionalista (LI), sec\u00e7\u00e3o da UIT-QI no Estado Espanhol No dia 16 de abril, o Supremo Tribunal do Reino Unido decidiu que o termo \u2018mulher\u2019, tal como consta da \u2018Lei da Igualdade\u2019 (uma lei de 2010 que visa proteger, legalmente, as pessoas contra a discrimina\u00e7\u00e3o nos locais de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":21778,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/uit-ci.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21781"}],"collection":[{"href":"https:\/\/uit-ci.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/uit-ci.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uit-ci.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uit-ci.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21781"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/uit-ci.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21781\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21782,"href":"https:\/\/uit-ci.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21781\/revisions\/21782"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/uit-ci.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21778"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/uit-ci.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/uit-ci.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/uit-ci.org\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}