{"id":22669,"date":"2025-07-16T14:32:30","date_gmt":"2025-07-16T14:32:30","guid":{"rendered":"http:\/\/uit-ci.org\/?p=22669"},"modified":"2025-07-16T14:32:30","modified_gmt":"2025-07-16T14:32:30","slug":"conversando-com-mercedes-petit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uit-ci.org\/index.php\/2025\/07\/16\/conversando-com-mercedes-petit\/?lang=pt-br","title":{"rendered":"Conversando com Mercedes Petit"},"content":{"rendered":"<p>Zez\u00e9, Maria Jos\u00e9 Louren\u00e7o da Silva, faleceu no dia 24 de mar\u00e7o de 2025, perto de completar 80 anos. O ato unit\u00e1rio em homenagem \u00e0 Zez\u00e9, realizado na sede da CSP \u2013 CONLUTAS em SP, reuniu militantes hist\u00f3ricos, que compartilharam a milit\u00e2ncia na \u00e9poca do Ponto de Partida, da Liga Oper\u00e1ria e da Converg\u00eancia Socialista. E, no plano internacional, da FLT, da Fra\u00e7\u00e3o Bolchevique e da velha LIT-QI dos anos 1980 (ver\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cstuit.com\/home\/2025\/05\/18\/ato-unitario-celebra-a-trajetoria-de-zeze\/\">Ato unit\u00e1rio celebra a trajet\u00f3ria de Zez\u00e9! \u2013 CST-UIT<\/a>)<\/p>\n<p>A dirigente da Izquierda Socialista [Esquerda Socialista] e da UIT-QI, Mercedes Petit, foi uma das oradoras internacionais (ver\u00a0<a href=\"http:\/\/www.instagram.com\/cst_uit\/reel\/DJz6sAaST4Y\/\">www.instagram.com\/cst_uit\/reel\/DJz6sAaST4Y\/<\/a>). A companheira \u00e9 veterana do movimento trotskista, sempre atuando na corrente fundada por Nahuel Moreno.<\/p>\n<p>Aproveitamos a ocasi\u00e3o para conversar com ela. Assim, as jovens e os jovens, que n\u00e3o militaram naquele momento, poder\u00e3o saber mais daquela rica experi\u00eancia e conhecer mais nossa tradi\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, al\u00e9m de dialogar sobre a vig\u00eancia das elabora\u00e7\u00f5es da corrente morenista e sobre o que \u00e9 ser trotskista hoje. Vejamos o que Mercedes Petit vai nos contar a seguir.<\/p>\n<p>Boa leitura!<\/p>\n<p><strong>Combate Socialista: Como voc\u00ea conheceu a Zez\u00e9?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mercedes Petit:<\/strong>\u00a0Foi h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo! Ela havia se exilado no Chile, sob o governo de Salvador Allende e da Unidade Popular, devido \u00e0 repress\u00e3o da ditadura militar brasileira. Com outros companheiros, formou um pequeno grupo chamado Ponto de Partida, que aderiu ao trotskismo e entrou em contato com a corrente de Nahuel Moreno. \u00c9 f\u00e1cil lembrar quando nos conhecemos, porque Zez\u00e9 veio para Buenos Aires ap\u00f3s o triunfo do golpe genocida de Pinochet, em 1973. Naquela \u00e9poca, t\u00ednhamos uma sede na Rua 24 de Noviembre. L\u00e1 nos reun\u00edamos com Nahuel Moreno, tanto dirigentes do PST quanto da nossa corrente internacional. Zez\u00e9 e eu t\u00ednhamos mais ou menos a mesma idade. Depois, ela retornou ao Brasil por um tempo, pois decidiram fundar a Liga Oper\u00e1ria em S\u00e3o Paulo, em 1974. Em mar\u00e7o de 1976, ocorreu o golpe na Argentina, e em junho e julho daquele ano, come\u00e7amos a nos exilar em Bogot\u00e1, Col\u00f4mbia, com Moreno e outros companheiros. Zez\u00e9 ingressou [na dire\u00e7\u00e3o internacional] em 1977 ou 1978, n\u00e3o me lembro exatamente, integrando-se \u00e0s tarefas de dire\u00e7\u00e3o da corrente morenista internacional. Foram anos de um bel\u00edssimo ativismo compartilhado. E, naquele per\u00edodo, Zez\u00e9 conheceu o homem que se tornaria seu companheiro de toda a vida, Jorgito Sprovieri, militante do PST, que havia sido preso e p\u00f4de se exilar e se estabelecer em Bogot\u00e1.<\/p>\n<p><strong>CS: \u00a0Na interven\u00e7\u00e3o, falas rapidamente de atividades com a Zez\u00e9 no ex\u00edlio na Col\u00f4mbia. Poderias contar mais sobre essa \u00e9poca da corrente trotskista morenista?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MP:<\/strong>: Naquela \u00e9poca, hav\u00edamos formado a Tend\u00eancia Bolchevique, em 1976, e, em seguida, a Fra\u00e7\u00e3o Bolchevique (FB), em 1978. Lut\u00e1vamos dentro da Quarta Internacional (Secretariado Unificado) contra o setor majorit\u00e1rio oportunista, formado pelo mandelismo e pelo SWP dos Estados Unidos. As diferen\u00e7as e pol\u00eamicas estavam se acirrando. Houve uma cis\u00e3o em julho-agosto de 1979, \u00e0s v\u00e9speras do D\u00e9cimo Congresso Mundial. Na Nicar\u00e1gua, a mobiliza\u00e7\u00e3o contra a ditadura de Somoza, liderada pelo ex\u00e9rcito guerrilheiro da Frente Sandinista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional, crescia. A partir de Bogot\u00e1, com o apoio do PST colombiano e de toda a FB, Moreno impulsionou a nossa participa\u00e7\u00e3o na luta armada com a Brigada Sim\u00f3n Bol\u00edvar (BSB), que participou ao lado da FSLN do combate na frente sul, a partir da fronteira com a Costa Rica. Uma opera\u00e7\u00e3o independente tamb\u00e9m foi realizada na cidade de Bluefields, na costa atl\u00e2ntica, que foi libertada por um contingente da BSB [1].<\/p>\n<p>Em 19 de julho, Somoza fugiu e a ditadura caiu. A FSLN formou um governo com dois representantes da burguesia anti-Somoza, Violeta Chamorro e Alfonso Robelo. O mandelismo e o SWP (que n\u00e3o haviam participado, de forma alguma, da longa luta anti-ditadura) apoiaram o governo burgu\u00eas. Por sua vez, em 26 de julho, o pr\u00f3prio Fidel Castro aconselhou a dire\u00e7\u00e3o sandinista a manter a alian\u00e7a com a burguesia, sem aprofundar a revolu\u00e7\u00e3o e sem expropriar a burguesia, promovendo a reconstru\u00e7\u00e3o da economia e das for\u00e7as armadas capitalistas. Em agosto, o governo sandinista prendeu os brigadistas e os expulsou para o Panam\u00e1. Houve uma cis\u00e3o, porque o setor mandelista e o SWP apoiaram a repress\u00e3o aos combatentes da brigada. Foi um salto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s diverg\u00eancias e controv\u00e9rsias em curso entre os trotskistas, pois quest\u00f5es de princ\u00edpio foram violadas, com a defesa da repress\u00e3o de um governo burgu\u00eas, algo que nos levou a romper com a Quarta Internacional \u2013 Secretariado Unificado. Isso abriu um processo de aproxima\u00e7\u00e3o com o lambertismo, importante corrente do trotskismo franc\u00eas, e com organiza\u00e7\u00f5es de outros pa\u00edses. Zez\u00e9 e eu viajamos a Paris, para participar de reuni\u00f5es em dezembro de 1980, que visavam \u00e0 unifica\u00e7\u00e3o e funda\u00e7\u00e3o do CI-CI [Comit\u00ea Internacional \u2013 Quarta Internacional]. H\u00e1 uma bela foto nossa com alguns camaradas dentro da Igreja de Notre Dame. Ador\u00e1vamos conhecer Paris, e Zez\u00e9 estava muito elegante com uma boina que lhe dava um ar franc\u00eas. Era inverno. Riamos entre n\u00f3s, porque hav\u00edamos apelidado o dirigente do grupo lambertista no Brasil, cujo nome n\u00e3o me lembro, de \u201cca\u00e7ador de borboletas\u201d. Infelizmente, o processo foi frustrado pela capitula\u00e7\u00e3o de Lambert e de sua corrente ao governo de \u201cfrente popular\u201d, de concilia\u00e7\u00e3o de classes, do social-democrata Mitterrand. Retornamos a Bogot\u00e1 e fundamos a LIT-QI, em janeiro de 1982.<\/p>\n<p><strong>CS: Qual a import\u00e2ncia da internacional para a organiza\u00e7\u00e3o trotskista morenista que \u00e9 fundada no Brasil em 1974? E posteriormente na CS?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MP:<\/strong>\u00a0A raz\u00e3o de ser de uma organiza\u00e7\u00e3o internacional \u00e9 promover o desenvolvimento dos partidos trotskistas em cada pa\u00eds. N\u00e3o se trata de uma frase protocolar, mas da forma como sempre atuamos no morenismo. Isso porque fomos formados, educados, na convic\u00e7\u00e3o de que, sem uma internacional, por menor que seja, a tarefa de construir um partido revolucion\u00e1rio n\u00e3o pode prosperar com sucesso. E a dire\u00e7\u00e3o internacional se nutre e amadurece acompanhando esse desenvolvimento, n\u00e3o apenas com elabora\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas e pol\u00edticas, como a revista e os documentos internacionais, mas com viagens, reuni\u00f5es e contato permanente. \u00c9 por isso que Zez\u00e9 e eu compartilhamos tantos encontros e visitas a Bogot\u00e1 com os dirigentes da corrente. E eu viajei muito quando era mais jovem. Isso \u00e9 geral, vale para todos os grupos morenistas e para a dire\u00e7\u00e3o internacional desde tempos imemoriais. Para al\u00e9m disso \u2013 e do grande carinho de Moreno por Zez\u00e9, com quem podemos dizer que ele tinha uma amizade pessoal \u2013, eu lhe diria duas coisas.<\/p>\n<p>A primeira \u00e9 que o apoio a essa iniciativa de avan\u00e7o no Brasil foi importante para dar suporte a um grupo de camaradas que, com determina\u00e7\u00e3o e coragem, se prop\u00f4s a construir um partido trotskista sob a ditadura, a Liga Oper\u00e1ria, e, posteriormente, a Converg\u00eancia Socialista. No Brasil, n\u00e3o apenas na d\u00e9cada de 1960 (o golpe ocorreu em 1964), mas tamb\u00e9m no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, a repress\u00e3o foi muito severa. Os primeiros sinais de enfraquecimento do regime come\u00e7aram a aparecer em meados e no final da d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n<p>A segunda \u00e9 a import\u00e2ncia que atribu\u00edamos \u00e0 jovem e pujante classe trabalhadora brasileira. Moreno sempre disse que gostaria de ter tido um partido com a experi\u00eancia e a trajet\u00f3ria do partido argentino, mas em S\u00e3o Paulo, no ABC ou em Belo Horizonte. Essa vitalidade da nova classe trabalhadora brasileira come\u00e7ou a se expressar fortemente com a onda de greves que se iniciou em 1978-79, as ocupa\u00e7\u00f5es de f\u00e1bricas e todo o processo revolucion\u00e1rio que levou \u00e0 funda\u00e7\u00e3o do PT, no qual a CS esteve presente desde o in\u00edcio, com a mo\u00e7\u00e3o apresentada naquele hist\u00f3rico congresso de Lins, em 1979. E depois na funda\u00e7\u00e3o e massifica\u00e7\u00e3o da CUT, com os novos sindicatos de luta que varreram os burocratas pelegos. Isso permitiu um grande avan\u00e7o para os trotskistas, que tiveram uma participa\u00e7\u00e3o destacada em v\u00e1rios processos, como em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos; em Belo Horizonte\/Contagem, em Minas Gerais; e na pr\u00f3pria dire\u00e7\u00e3o da CUT.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CS: Um camarada antigo chegou a falar conosco de tua milit\u00e2ncia quando das pris\u00f5es de 1978, na campanha de solidariedade. \u00c9 verdade que Moreno corria risco de ser assassinado pela ditadura argentina? Poderias nos contar algo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MP:<\/strong>\u00a0Com certeza. O risco era muito real. Moreno constava nas listas dos \u201ccondenados\u201d pela Triple A [Alian\u00e7a Anticomunista Argentina, esquadr\u00e3o da morte de extrema-direita] desde antes de mar\u00e7o de 1976. Desde 1975, o PST operava sob r\u00edgidas normas de clandestinidade, e Moreno, em particular, tinha movimentos muito restritos. Quando viajou de Bogot\u00e1 para S\u00e3o Paulo, em 1978, foi preso junto com grande parte da dire\u00e7\u00e3o da CS, Ritita, da dire\u00e7\u00e3o argentina, e um membro da dire\u00e7\u00e3o do partido portugu\u00eas. Entre os detidos estava o querido companheiro Zezoka, que faleceu recentemente. Se Moreno tivesse sido deportado para Buenos Aires, sua vida estaria em tremendo perigo, tendo em vista a vig\u00eancia do regime militar genocida. Sequestros e desaparecimentos eram comuns. Empreendemos uma vigorosa campanha internacional e conseguimos que a pol\u00edcia pol\u00edtica os \u201cexpulsasse\u201d para a Col\u00f4mbia. O Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas os acompanhou at\u00e9 que fossem recebidos em seguran\u00e7a no consulado colombiano, em S\u00e3o Paulo. Em seguida, retornaram a Bogot\u00e1. Em 1985, a dire\u00e7\u00e3o da CS \u2013 em particular o camarada Z\u00e9 Cretton, que havia sido preso em 1978 \u2013 dedicaram esfor\u00e7os significativos para que a pol\u00edcia e o governo suspendessem a proibi\u00e7\u00e3o de Moreno de visitar o pa\u00eds, ap\u00f3s sua expuls\u00e3o em 1978. Eu morava em S\u00e3o Paulo e, com Zez\u00e9 e Jorge, tivemos a grande alegria de receb\u00ea-lo de volta em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>CS: Na interven\u00e7\u00e3o, citas algo de tua milit\u00e2ncia no Brasil. Poderias dizer algo daquele per\u00edodo? Ainda era a ditadura militar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MP<\/strong>: Fiz v\u00e1rias viagens para o Brasil, a partir de Bogot\u00e1, quando a CS operava na clandestinidade. Por exemplo, no in\u00edcio de 1981, realizamos um curso com a dire\u00e7\u00e3o e os quadros da CS para ler e discutir as Teses do CI-CI, o texto program\u00e1tico votado durante a unifica\u00e7\u00e3o com o CORQUI [Comit\u00ea de Reconstru\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional], a corrente lambertista. Foi muito bom, com muita participa\u00e7\u00e3o e entusiasmo. Pouco depois, a unidade ruiu, mas a CS, como toda a LIT-QI da \u00e9poca, soube lidar com a situa\u00e7\u00e3o e continuamos a progredir. Acho que o grupo \u201clambertos\u201d [lambertistas] entrou em decl\u00ednio. Zez\u00e9 e Jorge retornaram [ao Brasil] em 80 ou 81, se n\u00e3o me engano. E, no auge do ascenso de massas, come\u00e7amos a ganhar terreno significativo no novo sindicalismo. Por isso, de 1984 at\u00e9 o final de 1985, fui militar em S\u00e3o Paulo, para acompanhar a constru\u00e7\u00e3o do partido nesse processo de luta e reorganiza\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio; para acompanhar a massifica\u00e7\u00e3o da CUT e os primeiros passos da constru\u00e7\u00e3o do PT, que come\u00e7ou como um partido oper\u00e1rio de vanguarda e, ao longo dos anos, conquistou influ\u00eancia de massas. Os trabalhadores em greve realizavam assembleias em campos de futebol.<\/p>\n<p><strong>6 \u2013 Certa vez falastes de reuni\u00f5es aqui, junto com Moreno. Eram debates sobre a constru\u00e7\u00e3o de equipes de dire\u00e7\u00e3o. Qual a import\u00e2ncia da forma\u00e7\u00e3o de equipes num partido trotskista morenista?<\/strong><\/p>\n<p>Na concep\u00e7\u00e3o de partido que nos foi legada por L\u00eanin e pela experi\u00eancia dos bolcheviques, os\/as militantes atuam em organismos relativamente pequenos, que chamamos de \u201cc\u00e9lulas\u201d ou \u201cequipes\u201d. Assim, a equipe proporciona um espa\u00e7o para a discuss\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o coletiva, colocando em pr\u00e1tica a pol\u00edtica e as atividades do partido. Isso se aplica ao funcionamento da dire\u00e7\u00e3o. Deve ser uma equipe, a fim de distribuir tarefas, aprimorar as habilidades de cada membro e, em conjunto, estudar e acompanhar a realidade, desenvolver pol\u00edticas e promover a constru\u00e7\u00e3o do partido e de suas equipes, para ter um n\u00famero cada vez maior de militantes. \u00c0 medida que a organiza\u00e7\u00e3o cresce, haver\u00e1 dirigentes que vivem o partido, profissionais, para se dedicarem em tempo integral ao trabalho partid\u00e1rio. E, de cima a baixo, tudo \u00e9 discutido nos organismos, e o que \u00e9 resolvido coletivamente \u00e9 aplicado, posto em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Chamamos isso de centralismo democr\u00e1tico. \u00c9 o oposto do verticalismo do stalinismo, com um d\u00e9spota intitulado \u201csecret\u00e1rio-geral\u201d, como foi Joseph Stalin, \u00e0 frente de um aparato burocr\u00e1tico ditatorial e horrendo, que traiu a pol\u00edtica e o programa revolucion\u00e1rios e levou a URSS e o\u00a0 chamado \u201csocialismo real\u201d ao colapso e ao retorno do capitalismo. Na d\u00e9cada de 1920, ap\u00f3s a morte de Lenin, foi Trotsky quem deu continuidade \u00e0 luta que vinham travando contra o retrocesso pol\u00edtico e burocr\u00e1tico. Assim surgiram o trotskismo e a Quarta Internacional.<\/p>\n<p><strong>CS: Sabemos de tua intensa preocupa\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de novos quadros, nos armando para a interven\u00e7\u00e3o na luta de classes. Zez\u00e9 e muitos antigos camaradas falaram de uma lend\u00e1ria escola de quadros na Argentina. Qual a import\u00e2ncia da forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica num partido revolucion\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MP:<\/strong>\u00a0Desde a d\u00e9cada de 1970, militantes brasileiros participavam de cursos e escolas de quadros [na Argentina]. Talvez essa lembran\u00e7a em particular seja de uma das escolas que conseguimos realizar em 1982, no pr\u00e9dio enorme da Rua Peru. Eles participavam do que cham\u00e1vamos de \u201cescola te\u00f3rica\u201d, com temas b\u00e1sicos marxistas. Estud\u00e1vamos materialismo hist\u00f3rico, as \u201cteses sobre Feuerbach\u201d, aliena\u00e7\u00e3o e outros temas. [2] Tamb\u00e9m estud\u00e1vamos outros assuntos, sobre diferentes processos revolucion\u00e1rios que ocorreram no s\u00e9culo XX. Eu acrescentaria tamb\u00e9m que, quando nos visitavam para cursos ou reuni\u00f5es no inverno, [os brasileiros] sempre reclamavam muito do frio e estavam agasalhados com gorros de l\u00e3, luvas e cachec\u00f3is.<\/p>\n<p><strong>CS: Num mundo em desordem mundial com Trump, com genoc\u00eddio em Gaza e uma resist\u00eancia ainda de p\u00e9, uma ditadura capitalista liderada por um partido \u201ccomunista\u201d na China\u2026. Segue vigente o legado te\u00f3rico e pol\u00edtico de Nahuel Moreno?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MP:<\/strong>\u00a0Moreno faleceu em janeiro de 1987. Quase 40 anos se passaram. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que, entre o final do s\u00e9culo XX e o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, ocorreram novos fen\u00f4menos e imensos eventos pol\u00edticos, que Moreno n\u00e3o vivenciou. Como, por exemplo, a queda do Muro de Berlim, a dissolu\u00e7\u00e3o da antiga URSS e a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo nos pa\u00edses em que a burguesia havia sido expropriada. Houve tamb\u00e9m a ascens\u00e3o da extrema-direita em todo o mundo e o avan\u00e7o da destrui\u00e7\u00e3o ambiental capitalista. Por\u00e9m, em ess\u00eancia, o legado te\u00f3rico e pol\u00edtico de Nahuel Moreno permanece vigente. Suas elabora\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e te\u00f3ricas, dentro do marxismo revolucion\u00e1rio, seguem tendo grande atualidade para as novas gera\u00e7\u00f5es de revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Ao longo de sua obra escrita, por exemplo, ele lutou consistentemente contra os setores oportunistas e revisionistas da esquerda e do trotskismo, como Ernest Mandel, que pregava que o capitalismo ainda poderia crescer e se desenvolver. Moreno insistiu no oposto: que o sistema capitalista-imperialista ainda estava em meio \u00e0 decad\u00eancia que L\u00eanin e Trotsky j\u00e1 haviam analisado desde a Primeira Guerra Mundial. E que, desde 1968, essa decad\u00eancia havia se agravado e uma crise econ\u00f4mica cr\u00f4nica se instalara. D\u00e9cadas ap\u00f3s sua morte, vemos que a humanidade est\u00e1 sofrendo uma cat\u00e1strofe devido \u00e0 superexplora\u00e7\u00e3o, \u00e0 pobreza e at\u00e9 mesmo a uma pandemia global. O capitalismo est\u00e1 passando pela pior crise de sua hist\u00f3ria. As consequ\u00eancias s\u00e3o sofridas pelas massas, com bilh\u00f5es de pessoas vivendo na pobreza absoluta. Moreno reafirmou a validade da lei de Karl Marx da tend\u00eancia \u00e0 pauperiza\u00e7\u00e3o crescente. No s\u00e9culo XXI, somou-se o agravamento do desastre ambiental capitalista. Foi por isso que Moreno manteve e enfatizou a advert\u00eancia de Trotsky: \u201cSocialismo ou barb\u00e1rie\/ cat\u00e1strofe!\u201d Uma disjuntiva que continua v\u00e1lida.<\/p>\n<p>Outro aspecto fundamental de seu legado \u00e9 que Moreno reafirmou que os pilares da funda\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional (1938) permaneciam v\u00e1lidos e que a grande tarefa \u00e9 superar a crise da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, construindo partidos revolucion\u00e1rios em todo o mundo, no calor da batalha e intervindo nas lutas oper\u00e1rias e populares. [3]<\/p>\n<p><strong>CS: H\u00e1 setores oriundos do morenismo que t\u00eam uma vis\u00e3o diferente do seu legado. Eles acreditam que tudo, a partir da Segunda Guerra Mundial, precisa ser reformulado e repensado. O que voc\u00ea acha?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MP:<\/strong>\u00a0Precisamos sempre retrabalhar e repensar. Foi isso que Moreno nos ensinou. Ele insistia que o marxismo \u00e9 aberto e que, diante de novas realidades, n\u00e3o podemos agir com esquemas. No entanto, isso somente se essas novas elabora\u00e7\u00f5es tiverem uma base metodol\u00f3gica marxista correta.<\/p>\n<p>Por exemplo, \u00e0 luz dos novos fen\u00f4menos que Moreno n\u00e3o vivenciou, algumas de suas hip\u00f3teses n\u00e3o se concretizaram. Moreno considerou a possibilidade de que, com a crise e a queda do stalinismo, correntes revolucion\u00e1rias de massa emergissem e que isso pudesse contribuir para o surgimento de grandes partidos revolucion\u00e1rios. Infelizmente, essa previs\u00e3o, por enquanto, n\u00e3o se concretizou.<\/p>\n<p>Pode haver outros casos espec\u00edficos como esse. Por\u00e9m, isso n\u00e3o altera de forma alguma a vig\u00eancia geral de seu legado te\u00f3rico e pol\u00edtico. E assumimos isso com ainda mais for\u00e7a diante da desintegra\u00e7\u00e3o do morenismo, a partir da d\u00e9cada de 1990. Foram os erros de todos n\u00f3s, que comp\u00fanhamos a dire\u00e7\u00e3o sem Moreno, que provocaram esse retrocesso. N\u00f3s, da UIT-QI, aceitamos isso ap\u00f3s consider\u00e1vel discuss\u00e3o, quando aprovamos um balan\u00e7o autocr\u00edtico do per\u00edodo de 1987-1992, em 1997 [4], que tornamos p\u00fablico anos atr\u00e1s. At\u00e9 onde sabemos, fomos os \u00fanicos daquela dire\u00e7\u00e3o, vigente durante aqueles anos de crise ap\u00f3s a morte de Moreno, que realizaram uma autocr\u00edtica de nossos erros, de nossas pol\u00edticas falhas e nossos m\u00e9todos equivocados.<\/p>\n<p>Por isso, por exemplo, considero muito equivocadas as cr\u00edticas a grande parte da obra de Moreno feitas pela corrente que manteve o nome LIT-QI, ap\u00f3s a ruptura e a divis\u00e3o do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, e que ainda se apresenta como \u201cmorenista\u201d.<\/p>\n<p>A dire\u00e7\u00e3o dessa corrente publicou um longo texto em seu site intitulado \u201cSobre as situa\u00e7\u00f5es da luta de classes nacional e mundial\u201d, no qual questiona grande parte da importante elabora\u00e7\u00e3o de Nahuel Moreno.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que n\u00e3o tenho espa\u00e7o aqui para responder a tudo o que, surpreendentemente, aponta o texto. Vou abordar apenas dois pontos para mostrar as distor\u00e7\u00f5es e a falta de sustenta\u00e7\u00e3o de suas cr\u00edticas e revis\u00f5es. Ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, come\u00e7ou a emergir um fato novo: dire\u00e7\u00f5es n\u00e3o revolucion\u00e1rias lideraram revolu\u00e7\u00f5es, que avan\u00e7aram em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o da burguesia (Iugosl\u00e1via, China, Cuba e Vietn\u00e3). A ocupa\u00e7\u00e3o da Europa Oriental pelo Ex\u00e9rcito Vermelho (Pol\u00f4nia, Hungria, Rom\u00eania, Bulg\u00e1ria, Tchecoslov\u00e1quia e Alemanha Oriental) tamb\u00e9m avan\u00e7ou nessa dire\u00e7\u00e3o. Em nenhum desses processos o sujeito social foi a classe oper\u00e1ria, nem existiu um partido marxista revolucion\u00e1rio \u00e0 frente, como proposto pelo marxismo revolucion\u00e1rio. Trotsky, no Programa de Transi\u00e7\u00e3o, havia apontado que essa possibilidade \u201cera a variante improv\u00e1vel\u201d, ou seja, um caso excepcional. Mas ocorreu o oposto. Diante da confus\u00e3o generalizada em torno dos novos fatos no seio do trotskismo do p\u00f3s-guerra, Moreno foi s\u00e1bio ao reconhecer as realidades imprevistas e dar-lhes uma interpreta\u00e7\u00e3o correta, sem ceder \u00e0s dire\u00e7\u00f5es contrarrevolucion\u00e1rias stalinistas ou pequeno-burguesas (Cuba). Moreno observou que \u201ca realidade era mais trotskista do que n\u00f3s, trotskistas, imagin\u00e1vamos\u201d. Ele enfatizou a for\u00e7a da mobiliza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria das massas naquele per\u00edodo, que deu origem \u00e0s novas situa\u00e7\u00f5es, nas quais o que Trotsky havia previsto como \u201cimprov\u00e1vel\u201d se tornou \u201cnorma\u201d ou \u201clei\u201d das novas expropria\u00e7\u00f5es do imediato p\u00f3s-guerra. Sem cair no sectarismo (nega\u00e7\u00e3o dos triunfos revolucion\u00e1rios e das expropria\u00e7\u00f5es) ou no oportunismo (enaltecimento das dire\u00e7\u00f5es contrarrevolucion\u00e1rias), ele analisou essas realidades e as explicou por meio de uma combina\u00e7\u00e3o de causas. [5] Agora, os dirigentes da LIT-QI, em seu texto, distorcem o que Moreno disse. Eles fazem uma interpreta\u00e7\u00e3o falsa, afirmando que Moreno formulou uma \u201clei\u201d (citado no ponto 14 do texto). E, antes disso, declaram que Moreno criticou Trotsky \u2013 que, ali\u00e1s, havia sido assassinado cinco anos antes dos eventos \u2013 pelo progn\u00f3stico n\u00e3o cumprido. Isso \u00e9 falso. Moreno nunca criticou Trotsky por esse progn\u00f3stico. Ele apenas apontou a contradi\u00e7\u00e3o e deu sua interpreta\u00e7\u00e3o marxista (ver \u201cRevolu\u00e7\u00f5es do S\u00e9culo XX\u201d, dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.nauhuelmreno.org\/\">www.nauhuelmreno.org<\/a>).<\/p>\n<p>Em segundo lugar, os atuais dirigentes da LIT-QI afirmam que Moreno chegou \u00e0 conclus\u00e3o \u201cerr\u00f4nea\u201d de que se tratava de uma \u201clei\u201d e que ele propunha \u201cprojetar a necess\u00e1ria continuidade desse processo para o futuro\u201d (ponto 15 do texto citado). Isso \u00e9 duplamente falso, tendo em vista que Moreno nunca escreveu a palavra \u201clei\u201d em seus textos (\u201cRevolu\u00e7\u00f5es do S\u00e9culo XX\u201d ou \u201cAtualiza\u00e7\u00e3o do Programa de Transi\u00e7\u00e3o\u201d). Tampouco disse que seria isso que predominaria ou \u201cse projetaria\u201d dali em diante. Ele apenas mencionou isso numa interven\u00e7\u00e3o oral (cuja transcri\u00e7\u00e3o foi publicada ap\u00f3s a sua morte e sem que ele a revisasse), como algo oposto a uma \u201cexce\u00e7\u00e3o\u201d. Por\u00e9m, mais importante: \u00e9 falso que Moreno tenha falado de uma \u201clei\u201d no sentido de que ela excluiria a luta por revolu\u00e7\u00f5es socialistas, cessando assim a luta pela dire\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, e, menos ainda, que deixar\u00edamos de construir partidos revolucion\u00e1rios, uma vez que, segundo essa \u201clei\u201d, o poder oper\u00e1rio e a expropria\u00e7\u00e3o seriam conquistados pelo stalinismo e pelas dire\u00e7\u00f5es reformistas. \u00c9 incr\u00edvel que essa distor\u00e7\u00e3o ou falsifica\u00e7\u00e3o do pensamento e do programa de Nahuel Moreno esteja sendo escrita por aqueles que ainda se autodenominam morenistas. Na verdade, eles est\u00e3o abrindo o caminho para que setores como o PTS (FT) e o PO falsifiquem o pensamento de Moreno, acusando-o de ser um \u201cetapista\u201d, que revisou a teoria da revolu\u00e7\u00e3o permanente.<\/p>\n<p>Em outra parte do texto, a dire\u00e7\u00e3o da LIT-QI critica \u2013 ou \u201cdescobre\u201d -, depois de mais de 40 anos, Moreno como um \u201cobjetivista\u201d, algo que teria sido a causa de \u201cgraves erros de an\u00e1lise e caracteriza\u00e7\u00e3o\u201d (ponto 91 do texto citado). Segundo a dire\u00e7\u00e3o da LIT-QI, o objetivismo \u201cabriu espa\u00e7o para a expectativa de uma r\u00e1pida supera\u00e7\u00e3o da crise da dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria e da massifica\u00e7\u00e3o dos partidos revolucion\u00e1rios (\u2026) basta imaginar a quantidade de erros que devemos ter cometido nas defini\u00e7\u00f5es de nossas tarefas\u201d. Por\u00e9m, surpreendentemente, eles quase n\u00e3o mencionam nenhum erro do per\u00edodo de Moreno, enquanto ele ainda estava vivo. Mencionam apenas as Teses de 90, quando Moreno j\u00e1 n\u00e3o estava mais vivo. Culpam Moreno pelos erros que se seguiram \u00e0 sua morte. Como dizemos em nossa autocr\u00edtica, nosso pecado foi ir contra os ensinamentos de Moreno. Al\u00e9m disso, sinceramente, o texto d\u00e1 a impress\u00e3o de que a dire\u00e7\u00e3o da LIT-QI quer atribuir a Moreno, ap\u00f3s quase 40 anos de sua morte, suas pr\u00f3prias crises, fracassos e retrocessos como corrente. J\u00e1 apontamos os erros sect\u00e1rios e autoproclamados desse setor mais de uma vez. N\u00e3o foi Moreno quem, desde a d\u00e9cada de 1990, proclamou de forma sect\u00e1ria a LIT-QI como a \u00fanica corrente revolucion\u00e1ria, rejeitando outros setores revolucion\u00e1rios, mesmo os oriundos do morenismo. Moreno prop\u00f4s a unidade dos revolucion\u00e1rios, a frente \u00fanica revolucion\u00e1ria, para tentar reconstruir ou refundar a Quarta Internacional. Moreno combateu o sectarismo e a auto-proclama\u00e7\u00e3o tanto quanto o oportunismo.<\/p>\n<p><strong>CS: Diga-nos em poucas palavras o que \u00e9 ser trotskista hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>MP:<\/strong>\u00a0Hoje, em primeiro lugar, \u00e9 manter, com coer\u00eancia e clareza, a continuidade da longa luta da classe oper\u00e1ria, dos setores populares e dos socialistas revolucion\u00e1rios contra o capitalismo-imperialista e pelo triunfo de governos dos\/as trabalhadores\/as e dos setores oprimidos e do socialismo em todos os pa\u00edses e no mundo. S\u00e3o mais de um s\u00e9culo e meio de experi\u00eancias, algumas bem-sucedidas, outras fracassadas, desde Marx, Engels e o Manifesto Comunista at\u00e9 a dura realidade de hoje, quando vivemos e sofremos a maior crise e colapso capitalista da hist\u00f3ria. Diante disso, n\u00f3s, trotskistas morenistas, dizemos que devemos impulsionar e apoiar todas as lutas justas, democr\u00e1ticas e anticapitalistas e lutar para construir novas alternativas de dire\u00e7\u00e3o, unindo os revolucion\u00e1rios, com a perspectiva de reconstruir a Quarta Internacional. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, porque a alternativa \u00e9 socialismo ou cat\u00e1strofe, mas vale a pena dedicar os maiores esfor\u00e7os a esses objetivos, que para mim s\u00e3o a raz\u00e3o de ser do trotskismo.<\/p>\n<p><strong>CS: Agradecemos pelo tempo dedicado \u00e0 nossa entrevista. Antes de encerrar, deixe um recado aos nossos leitores.<\/strong><\/p>\n<p>MP: S\u00f3 quero agradecer a oportunidade. E reivindicar o clima fraterno e respeitoso que permeou toda a jornada de homenagem \u00e0 Zez\u00e9, pois rela\u00e7\u00f5es fraternais e respeitosas s\u00e3o essenciais para o avan\u00e7o das enormes tarefas e desafios que n\u00f3s, revolucion\u00e1rios, temos pela frente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Notas:<\/strong><\/p>\n<p>[1] Ver o livro \u201cA Brigada Simon Bol\u00edvar\u201d, publicado em portugu\u00eas, e o texto \u201cAs perspectivas e a pol\u00edtica revolucion\u00e1ria ap\u00f3s o triunfo da revolu\u00e7\u00e3o nicaraguense\u201d, de 1979, dispon\u00edvel em https:\/\/nahuelmoreno.org\/1979-las-perspectivas-y-la-politica-revolucionaria-despues-del-triunfo-de-la-revolucion-nicaraguense\/<\/p>\n<p>[2] Em 2023, a editora Cehus publicou um livro, \u201cSobre o Marxismo\u201d, que resgata as transcri\u00e7\u00f5es dos cursos de Moreno. Est\u00e1 dispon\u00edvel em https:\/\/nahuelmoreno.org\/sobre-el-marxismo-1984\/<\/p>\n<p>[3] Ver a tese 1 do livro \u201cAtualiza\u00e7\u00e3o do Programa de Transi\u00e7\u00e3o\u201d, de 1980, \u201cAs bases de funda\u00e7\u00e3o da Quarta Internacional foram confirmados pela hist\u00f3ria\u201d. Dispon\u00edvel em https:\/\/nahuelmoreno.org\/1980-actualizacion-del-programa-de-transicion\/<\/p>\n<p>[4] \u201cBalan\u00e7o hist\u00f3rico do MAS. Per\u00edodo 1987-1992\u201d. Dispon\u00edvel em https:\/\/nahuelmoreno.org\/balance-historico-del-mas-1997\/<\/p>\n<p>[5] ver \u201cAs Revolu\u00e7\u00f5es do S\u00e9culo XX\u201d, dispon\u00edvel em https:\/\/nahuelmoreno.org\/1984-las-revoluciones-del-siglo-xx\/, e tamb\u00e9m v\u00e1rias das teses do livro \u201cAtualiza\u00e7\u00e3o do Programa de Transi\u00e7\u00e3o\u201d j\u00e1 citado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Zez\u00e9, Maria Jos\u00e9 Louren\u00e7o da Silva, faleceu no dia 24 de mar\u00e7o de 2025, perto de completar 80 anos. O ato unit\u00e1rio em homenagem \u00e0 Zez\u00e9, realizado na sede da CSP \u2013 CONLUTAS em SP, reuniu militantes hist\u00f3ricos, que compartilharam a milit\u00e2ncia na \u00e9poca do Ponto de Partida, da Liga Oper\u00e1ria e da Converg\u00eancia Socialista. 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