Por Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores – Quarta Internacional
26/1/2026. No âmbito do 56.º Fórum Econômico Mundial de Davos, e rodeado por seus acólitos, Donald Trump anunciou a criação da “Junta de Paz” para Gaza como um novo passo colonialista sobre a assediada Palestina.
A Junta de Paz buscará levar adiante uma nova fase da limpeza étnica e avançar na execução da Resolução 2803 (2025) que o Conselho de Segurança da ONU aprovou no mês de novembro passado, impondo um Mandato, um governo colegiado estrangeiro monopolizado por Donald Trump e pelo imperialismo.
Seu objetivo é garantir a intervenção militar em Gaza, a impunidade do genocida Netanyahu e de Israel, e fazer negócios multimilionários com a reconstrução de Gaza ao transformá-la em uma zona turística de luxo sob a denominação de “New Gaza”.
Por trás desse anúncio faraônico imperialista, o que se busca não é “paz”, mas criar uma colônia com intervenção política e militar direta do imperialismo e salvar Netanyahu legalizando o genocídio e a histórica limpeza étnica perpetrada por Israel.
Apesar de dois anos e meio de genocídio, Trump e Israel não puderam cantar vitória em seus objetivos de destruir o povo palestino de Gaza e expulsar seus dois milhões de habitantes. A resistência palestina e a grande mobilização internacional em seu apoio impediram um triunfo político e militar de Israel e dos Estados Unidos, impondo um isolamento sem precedentes a Netanyahu e conquistando uma frágil e parcial trégua, que Israel não cumpre, embora tenha tido que parar seus bombardeios massivos.
O falso acordo de paz, os “20 pontos de Trump para Gaza” e a resolução 2803(2025) do Conselho de Segurança da ONU, longe de garantir o cessar-fogo, permitiram que Israel continue os ataques genocidas em Gaza. Apesar das promessas falsas, o passo de Rafah permaneceu fechado, impedindo a chegada da ajuda humanitária necessária e provocando a morte de três bebês e outras pessoas devido ao rigoroso inverno.
Israel assassinou mais de 484 pessoas e feriu outras 1.297 desde que o cessar-fogo entrou em vigor em 10 de outubro. Hoje, quase um milhão de pessoas não tem um abrigo adequado e 1,6 milhão enfrentam altos níveis de insegurança alimentar aguda, segundo a ONU.
Esse plano não trará nenhuma paz, pois pretende liquidar todas as reivindicações e direitos do povo palestino, desarmar a resistência, negar a reivindicação do direito de retorno de milhões de palestinos deslocados e o histórico apelo por um Estado palestino, atacando assim seu direito soberano à autodeterminação. Por tudo isso, o plano está condenado ao fracasso e a resistência continuará.
Longe de trazer a paz na Palestina e no Oriente Médio
Donald Trump busca capitalizar a ocupação de Israel para fortalecer o Oriente Médio e recuperar os 21,700 milhões de dólares que investiu em armar militarmente Israel e garantir as bombas que destruíram Gaza — e que agora querem reconstruir através do negócio imobiliário dos poderosos.
“Nova Gaza” e o negócio imobiliário
O primeiro objetivo da Junta de Paz de Trump será garantir a administração de mandato e a reconstrução de Gaza.
Para isso, Trump designou o Conselho Executivo da Junta, constituído pelo Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio; Jared Kushner, genro do presidente estadunidense; Steve Witkoff, um multimilionário promotor imobiliário judeu-estadunidense; e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, entre outros multimilionários ligados ao imperialismo, Trump e Netanyahu.
Para administrar Gaza, Donald Trump designou o ex-enviado da ONU Nikolay Mladenov para atuar como vice-rei sobre Gaza e anunciou a formação do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), um grupo de tecnocratas com nenhum poder político, formado por funcionários palestinos que será dirigido por Ali Shaath, ex-vice-ministro de planejamento.
Junto com isso, está sendo impulsionado o chamado Plano Mestre de reconstrução, anunciado por Jared Kushner com plantas e maquetes que apagam a população palestina. Com esse plano, pretendem roubar, colonizar as terras palestinas e segmentar Gaza em diversas zonas turísticas, residenciais, industriais e agrícolas.
Nas costas do Mediterrâneo planejam construir 180 arranha-céus de luxo, um novo porto e aeroporto na fronteira com o Egito, e 100.000 supostas habitações na zona de Rafah.
Israel lançou até 200.000 toneladas de explosivos financiados pelos Estados Unidos sobre Gaza, deixando mais de 60 milhões de toneladas de escombros — suficientes para preencher quase 3.000 navios porta-contenedores. Donald Trump busca fazer negócios multimilionários com a reconstrução e transformar Gaza num novo e moderno campo de concentração, com controles sofisticados para fortalecer o apartheid.
E junto disso, um centro turístico e comercial para os poderosos será construído sobre os milhares de palestinos assassinados que ainda estão enterrados sob os escombros.
Contra o plano de Trump: sustentar a mobilização mundial pelo povo palestino
A Junta de Paz busca o controle imperialista de Gaza e estende seus objetivos a outros conflitos sociais e políticos que percorrem o mundo no contexto do crescente desordre mundial e da crise de dominação imperialista. A Junta de Paz é uma nova instituição criada por Donald Trump e o imperialismo norte-americano — paralela unilateralmente aos organismos estabelecidos após a Segunda Guerra Mundial, como a ONU — com o objetivo trumpista de garantir “paz duradoura pela força” para enfrentar a ascensão do movimento de massas.
Mas, apesar de ter recebido a assinatura de vários países, Trump não conseguiu adesão política suficiente para transformar discursos em fatos, e existem grandes dificuldades para aplicar o plano.
Os planos de Trump ainda são instáveis. Netanyahu aceitou fazer parte da Junta de Paz, mas insiste que antes da reconstrução deve conquistar o desarme completo do Hamas — algo que ainda não foi alcançado — o que provocou tensões em seu gabinete e propostas de retomar ações militares. O Hamas rejeita o plano de reconstrução e denuncia as violações ao cessar-fogo por parte de Israel, além de apontar que o passo de Rafah continua fechado.
O plano de reconstrução e a Junta de Paz receberam o rejeitamento de movimentos como Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), da Flotilha Global Sumud e de muitas outras organizações que desenvolvem a solidariedade internacional. A luta do povo palestino e a solidariedade mundial serão determinantes para impedir esse novo avanço colonialista dos Estados Unidos.
Enquanto a contraofensiva imperialista assume novas formas, a resistência dos povos do mundo contra os planos de fome, exploração e saque continua.
As grandes mobilizações que percorrem os Estados Unidos, como a última grande jornada de greve geral e mobilização em Minneapolis contra os assassinatos promovidos por Trump e a fascista ICE, demonstram que o povo trabalhador e migrante dos EUA e dos povos do mundo enfrentam o imperialismo e os governos capitalistas com seus planos de cortes e ajustes.
Desde a Unidade Internacional de Trabalhadoras e Trabalhadores – Quarta Internacional (UIT-CI) chamamos a fortalecer as mobilizações e aprofundar a solidariedade internacional com o povo palestino até expulsar a ocupação criminosa e racista de Israel e o plano colonial de Trump. Levantar um movimento internacional massivo em apoio a Gaza e ao povo palestino e contra Trump continua sendo a tarefa fundamental para quem luta em todos os continentes do mundo.
Fora Trump e as tropas de Israel de Gaza!
Não à Junta de Paz e seu plano colonial!
Chega de estado de apartheid sionista e genocida!
Por uma Palestina livre do rio ao mar!


