Porque é necessária a greve
O Governo da AD quer aprovar a maior regressão de direitos laborais desde a troika: despedimentos mais fáceis, precariedade generalizada, horários desregulados e mais poder patronal sobre a vida dos trabalhadores.
Apesar de este plano não constar do programa do Governo apresentado a eleições, nada disto caiu “do céu”: faz parte de um projeto que já vem sendo aplicado pelos sucessivos governos PSD/PS para baixar salários, enfraquecer sindicatos e pôr a economia a funcionar à custa do trabalhador.
Precisamos de uma greve geral forte se queremos travar este ataque. O Governo tenta dividir, prometendo recuos cosméticos e negociando por fora com a UGT, mas o essencial mantém-se. A greve é justa, necessária e urgente.
A simples convocatória da greve obrigou o Governo a recuar em pontos secundários e forçou um debate público mais abrangente sobre o conteúdo desta reforma, trazendo mais consciência sobre o tamanho do ataque que a AD prepara contra os trabalhadores. E quanto maior for a paralisação no dia 11 de dezembro, maior será a nossa capacidade de derrotar o pacote laboral.
Esta greve geral será também a expressão de um descontentamento acumulado muito para além da reforma laboral. Num país onde cresce a indignação com o apoio europeu ao genocídio em curso na Palestina, muitos trabalhadores farão greve trazendo também esta revolta: porque quem luta pelo seu salário e pelos seus direitos reconhece a luta de outros povos contra a opressão.
A solidariedade internacional faz parte da tradição dos trabalhadores e a defesa da Palestina é hoje uma das suas expressões mais vivas. E é essa mesma força coletiva que hoje se expressa no apoio à resistência palestiniana que pode transformar uma greve como a de 11 de dezembro num momento decisivo de luta, capaz de travar este ataque.
Como a greve devia estar a ser preparada
(e o que ainda falta fazer)
A greve geral foi finalmente convocada depois de meses de paralisia das direções sindicais. Mas, para que a paralisação tenha força real, não basta marcar uma data. Uma greve geral capaz de travar a reforma laboral exige uma preparação totalmente diferente daquela que está a ser feita pela CGTP e pela UGT.
Esta greve devia estar a ser construída pela base, com organização nos locais de trabalho: assembleias abertas em cada empresa e serviço, onde os trabalhadores discutam o ataque em curso e decidam como participar; plenários intersindicais e comissões de base eleitas, que coordenem a mobilização de baixo para cima; informação clara e permanente nos locais de trabalho sobre o que está realmente em causa na reforma laboral.
Falta também um plano de mobilização nacional e uma grande manifestação no próprio dia Nenhuma das centrais convocou, até agora, uma manifestação nacional para 11 de dezembro. Isto fragiliza a greve: deixa trabalhadores isolados, reduz a visibilidade pública e facilita ao Governo relativizar a sua força
A ausência deste plano é responsabilidade direta das grandes centrais sindicais, que querem uma greve controlada, limitada e facilmente capitalizável numa negociação posterior. Mas nada está perdido. Os trabalhadores ainda podem transformar esta greve!
5 coisas que podes fazer para dar força à greve geral
1. Organizar uma reunião sindical ou conversa informal
Mesmo que pequena. O objetivo é simples: explicar o que está em causa, esclarecer dúvidas e perceber o estado de espírito do setor. Mesmo que o sindicato do setor ou a comissão de trabalhadores seja inexistente ou não tome iniciativa, qualquer trabalhador pode organizar a discussão.
2. Criar um grupo de contacto entre colegas
Pode ser um grupo de WhatsApp ou Signal. Serve para trocar informação, esclarecer dúvidas sobre a greve e articular a adesão.
3. Discutir os impactos da reforma no nosso setor
Não basta falar “da lei em geral”: explicar concretamente o que muda no hospital, na escola, no armazém, na fábrica, na loja, no escritório. Isso aumenta a adesão.
4. Identificar quem está hesitante e falar com essas pessoas
Nem todos aderem logo. Uma conversa franca, centrada nos problemas reais do setor (horários, precariedade, pressões, salários), pode mudar posições.
5. Organizar piquetes para o dia da greve
No próprio dia, há sempre quem decida aderir à última hora. Sempre que possível, devemos organizar piquetes à porta do local de trabalho, informar os colegas que estão indecisos e dar força aos que estão a participar.
Depois da greve geral, é importante manter a articulação. A luta não termina no dia 11!
Criar listas de contacto e manter grupos de discussão ajuda a preparar o que vem a seguir.



